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11 de Outubro

por Bruno Vieira Amaral, em 06.09.13

Desculpem lá a intromissão.

 

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publicado às 12:31


Onda de calor

por Bruno Vieira Amaral, em 10.07.13

Era isto? Fraquinha.

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publicado às 00:52


O castigo máximo de António Veloso

por Bruno Vieira Amaral, em 24.06.13

Martírios

por Bruno Vieira Amaral, em 20.06.13

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publicado às 20:23


Pornografia séria

por Bruno Vieira Amaral, em 06.06.13

Notícias preocupantes para o mundo da pornografia: em 2014, a Routledge publicará a primeira revista académica dedicada aos estudos pornográficos. As editoras da publicação, Feona Attwood (Universidade de Middlesex – sem malícia) e Clarissa Smith (da mais resolvida Universidade de Sunderland), avisam que a mesma será dedicada ao estudo dos “produtos e serviços culturais denominados pornográficos”. Ora, a consagração académica da pornografia é um facto que certamente ocasionaria os mais veementes protestos dos consumidores se estes não estivessem tão ocupados a consumir pornografia. Até hoje, a pornografia tinha conseguido resistir estoicamente às investidas da Cultura, mantendo uma aura de clandestinidade, vício, depravação e vergonha moral que honrava gerações e gerações de onanistas furiosos e contumazes. A partir de 2014, esse mundo idílico será parte de um passado irrecuperável, mero artefacto museológico ou souvenir de tempos felizes. Quando, daqui a vinte anos, um adolescente pesquisar na net “sexo, pornografia, grátis” já não será encaminhado para um paraíso gráfico de beldades virtuais, barely legal, mas para um extenso, impenetrável e castrador artigo de um qualquer discípulo de Boaventura Sousa Santos com o título “A Territorialidade da Fantasia no Devir do Prazer: Subsídios para uma história dos brinquedos sexuais”. Lamentemos a sorte dos que estão por nascer. Entretanto, os interessados podem enviar os seus artigos e dúvidas sobre a utilização de bolas chinesas para o muito sério editorspstudies@gmail.com.

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publicado às 13:21


Direitos humanos

por Bruno Vieira Amaral, em 22.05.13

Aos portugueses que se perguntam o que andarão os deputados da maioria a fazer enquanto o país esfola os joelhos na crise recomendo a consulta de um documento imprescindível e de proveitosa leitura que ostenta o enigmático título «Projecto de Resolução Nº 637/XII». Logo abaixo, explica-se ao povo ignaro que o documento mais não é do que uma «recomendação relativa à adoção por entidades públicas e privadas da expressão universalista para referenciar os direitos humanos», sentença que seria auto-evidente se não fosse completamente incompreensível. As páginas seguintes não resolvem de imediato o mistério do sentido deste texto críptico. A técnica do suspense é utilizada com mestria pelos deputados, que apimentam essa estratégia narrativa com a sugestiva repetição da palavra «paradigma», que aparece quatro vezes e nem sempre nas melhores condições físicas e semânticas. Não é de crer que até ao final da legislatura o paradigma volte a ecoar tão retumbantemente nas galerias da Assembleia. Quem se dedicar à leitura do documento verá que este foi redigido naquela espécie de sânscrito universitário que produz estes cagalhões parlamentares: «Neste enquadramento, sobrevindo ainda a responsabilidade de diálogo e de rememoração intergeracional que nos incumbe, assumindo que os projetos e discursos políticos e de cidadania, seja sobre questões humanas e sociais, seja sobre questões de macroeconomia, que dominam no contexto atual, devem evidenciar que as políticas corporalizadas por assimilação das perspetivas implícitas à diversidade são um fator determinante para o progresso humano, político, económico e social das sociedades.» Ámen. Para cúmulo, enquanto o país desaba, é reconfortante saber que os deputados do PSD e do CDS tudo farão para que a bancarrota não nos descubra de linguística pelos joelhos e, «porque a linguagem representa uma realidade criada por indivíduos num determinado espaço e num determinado tempo», recomendam que as entidades oficiais substituam a «expressão Direitos do Homem pela expressão Direitos Humanos». Já sabíamos que os nossos liberais não passam de socialistas que moravam mais perto da sede do PSD local, mas descobrir que os deputados da direita são os arietes do politicamente correcto já é abuso. Diria mesmo, se o assunto não fosse tão sério, que isto é caso para dar cabo do paradigma de qualquer um.

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publicado às 10:18


Revoluções à hora do telejornal

por Bruno Vieira Amaral, em 21.05.13

Ontem, uma jornalista da RTP entrevistou um dos seres humanos de nacionalidade portuguesa que se reuniram ao fim da tarde em Belém. Não me refiro aos que estavam dentro do Palácio, mas aos que batiam desconsolados tachos contra a Troika, o Coelho e o Gaspar, e que se encontravam sanitariamente impedidos de atravessar a rua para protestar, barreira que respeitaram com escrúpulo democrático e, quase diria, bovino. O "aparato" policial resumia-se à presença de alguns agentes da autoridade francamente desiludidos por não poderem "dispersar" os manifestantes à bastonada. Dizia eu que a jornalista da RTP entrevistou uma das pessoas que por ali andava. Não me recordo da pergunta - interessa pouco - mas a resposta foi inquietante. O senhor, munido de um potente bigode e de um cartaz, afirmou que investigara a vida do Gaspar até aos anos 60 e que estava em condições de garantir aos portugueses que o Gaspar era primo do Louçã. Posteriormente, enveredou por uma complicada explanação de cariz genealógico em que acabou por dizer - creio que foi isto - que aquela relação de parentesco tinha a ver com o facto de o pai de um ser irmão da mãe do outro, o que como tem sido observado por vários antropóogos faz com que os filhos dessas pessoas sejam primos. Ou talvez o senhor tenha dito que as mulheres de Gaspar e de Louçã é que eram primas. Infelizmente, a jornalista da RTP, ao serviço de forças obscuras, interrompeu este relevante testemunho e deixou o senhor a brandir quixotescamente o seu cartaz enquanto ruminava a ligação familiar entre personagens tão distintas. Minutos antes, uma outra manifestante, esta mais exaltada, asseverava que o povo ia pegar em armas porque não há outra solução. Quero aqui recordar que o povo português não pega em armas para aí há duzentos anos e que desde essa época a tecnologia militar registou algumas evoluções. Peguem em armas, claro, mas vejam lá se não se aleijam. Considerem a possibilidade de investigar as relações familiares entre os políticos, uma actividade lúdica de baixo risco físico.

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publicado às 10:23


Criar personagens

por Bruno Vieira Amaral, em 19.05.13

Texto lido nas apresentações do meu livro, em Lisboa e no Porto:

 

A criação de uma personagem não é um acto meramente literário. É um acto religioso, filosófico, moral, espiritual. Quando cria uma personagem, o autor não é apenas um escritor, por muito bem que escreva. Mesmo que não goste muito da personagem, mesmo que queira que o leitor partilhe desse desdém, o facto de passar tempo com ela, de lhe dar voz, de se apagar para que a personagem se revele, é um gesto de genuíno altruísmo; não aquela noção de altruísmo corriqueiro, que se confunde com generosidade ou com dar esmola aos pobres, mas o altruísmo que significa o abandono de si e a aceitação integral do outro. A contribuição moral do romancista é a criação de personagens e o que isso representa para o alargamento da nossa concepção de humanidade. Descrever alguém diferente de nós, ser capaz de o fazer, é o mesmo que estender a mão para salvar um desconhecido. Tem, salvaguardadas as devidas distâncias, um valor idêntico. Compreender o outro é, de facto, perdoá-lo mesmo quando as suas acções são inaceitáveis. Quantos de nós, na vida real, dedicam mais do que breves momentos a tentar perceber aquelas pessoas de que não gostam ou, por muito estranho que possa parecer, das pessoas de que gostam? Na maior parte das vezes entregamo-nos aos sentimentos básicos que as pessoas nos despertam, ao ódio que lhes temos, ou amor que por elas nutrimos, e muito raramente lhes aplicamos o mesmo tratamento que um romancista dispensa às suas personagens. É esse o valor filosófico e moral da criação de personagens. A filosofia do absurdo pode ser exposta num ensaio, num tratado, mas Meursault vale todos os tratados e todos os ensaios sobre a filosofia do absurdo. Juliana, que incluí neste livro, é detestável, é certo, mas lá no fundo não gostamos dela? No fundo, não nos compadecemos com aquela vida miserável, com os seus sofrimentos de virgem tardia, com a sua eterna má-sorte de criada? Não torcemos um bocadinho por ela quando chantageia a patroa? Não pensaremos nós que aquela justiça retorcida é, ainda assim, uma forma de justiça? A verdade é que o romancista nos disse tudo sobre ela, falou-nos da sua história, da sua vida difícil, dos seus sonhos cor de bílis e isso, por muito que tenhamos vontade de a estrangular, aproxima-nos de Juliana. Compreender é perdoar. O castigo é merecido mas nós já a perdoámos porque a conhecemos como não podemos conhecer ninguém na vida real, na sua totalidade, nas condições materiais e nas ambições íntimas, de alto a baixo, dos pés à cabeça.

 

As personagens de Shakespeare, as galáxias humans de Tolstói, não podem ser consideradas meros feitos literários. Criar uma tal quantidade de personagens tão diferentes entre si, que ilustram paixões e modos de ser antagónicos, é uma realização espiritual. Podemos dizê-lo sem temer o tom esotérico. Não é o espiritual transcendental, é o espiritual humano. As grandes personagens, sobretudo as que não são moralmente didácticas, exercem sobre nós um profundo efeito moral porque nos obrigam a sair do que somos e a experimentar ser outro, a pôr-nos na pele do outro. Reparem, é mais do que nos revermos nas personagens. A má ficção – perdoem-me a inexactidão do termo – faz isso. Põe o leitor a viver aventuras que na vida real lhe são inacessíveis. Funciona como um comboio de feira, em que o leitor passeia um pouco fora de si para depois regressar a si inteiramente igual: é um intervalo de fantasia. As grandes personagens fazem outra coisa: o leitor sai de si e, quando regressa, é outro. O tempo que conviveu com o outro é de uma tal intensidade que transforma o leitor. O jogo já não é o de se identificar ou não com a personagem, o de gostar de uma e não gostar de outra, é o jogo muito sério de ver o mundo pelos olhos do outro: isto já não é só literatura porque a grande literatura não é só literatura, figuras de estilo, referências literárias, pontuação, é moral, é filosofia, é sempre, na sua expressão máxima, um humanismo. Estar no lugar do outro, ser capaz de imaginar o sofrimento alheio, de perceber as inquietações que o afligem e que nós, no dia-a-dia, não nos interessamos por aprofundar porque temos de viver funcionariamente, agarrados aos nossos preconceitos, satisfeitos com os ódios de estimação. Nas personagens literárias não há ódios de estimação. Não conseguimos alimentar um ódio de estimação por pessoas que conhecemos tão bem.

 

A literatura não nos torna melhores. A literatura não salva ninguém. Espanto-me por ainda haver pessoas que se questionam sobre isso. É o mesmo que perguntar se a vida nos torna melhores. Mas a literatura dá-nos algumas pistas que deveríamos ter a humildade de aceitar. Se, inspirados pela literatura, dedicássemos ao nosso vizinho que grita com a mulher o tempo que dedicamos a uma personagem como o professor de Rentes de Carvalho, se aquele conhecido que nos irrita com o seu tom de voz e as suas ideias estúpidas nos fosse oferecido numa bandeja como a Juliana de Eça, com todos os seus pensamentos íntimos e história de vida (provavelmente até chegaríamos a uma conclusão triste: “Que pessoa horrível! Que magnífica personagem!") a literatura já não seria apenas literatura, seria uma religião, e com a religião viriam os dogmas, e a verdade com maiúscula e a intolerância. A literatura, por isso, nunca fará de nós pessoas melhores. Porque é mais do que literatura e é apenas literatura e nós, desgraçadamente, somos apenas homens.

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publicado às 22:14


E o Lobo Antunes, pá?

por Bruno Vieira Amaral, em 11.05.13

 

Há seis anos que escrevo regularmente sobre livros. Não é muito tempo. Há quem escreva sobre livros há décadas. Mas é o tempo suficiente para reparar num fenómeno curioso. Raramente se vê um escritor a manifestar-se pública e directamente em relação às críticas aos seus livros. Por uma questão de decoro, essa atitude é compreensível quando a crítica é positiva. Quando a crítica é negativa, o facto de o autor visado nunca se referir a ela directamente é uma vã tentativa de passar olimpicamente ao lado, como se o desprezo, o ignorar o assunto, retirasse o valor intrínseco à crítica, a condenasse a um limbo, a ser uma espécie de vapor que, ao entrar em contacto com o mundo, estaria condenado a desaparecer. E as coisas não se passam assim. A crítica pode ter perdido relevância mas se há pessoas atentas ao que os críticos escrevem são os autores. Estes podem evitar directas referências aos críticos – seja com o valoroso intuito de não alimentar polémicas, seja para retirar importância pública àquilo a que eles intimamente dão valor – mas eles sabem que nós sabemos que eles lêem as críticas. E dão-lhes tanto valor que alguns chegam a ligar para as redacções a queixar-se das críticas negativas, outros queixam-se por não terem tido uma crítica que fosse neste ou naquele jornal, outros, magoados com o que consideram ser uma injusta machadada, murmuram em jantares e encontros ocasionais contra os pérfidos perpetradores do crítico crime. Não é raro que se atribuam ao desgraçado do crítico motivações negras, problemas psiquiátricos, paneleirices. Isto acontece. O que é raro acontecer é um autor não concordar com uma crítica, descer do seu olimpo de autor e vir cá abaixo trocar dois dedos de conversa com o crítico. É sempre melhor, mais obscuro, mais conspirativo, insinuar e depois sorrir, que isto nunca se sabe quando precisamos uns dos outros. Ora, hoje, dia 11 de Maio de 2013, tive o privilégio e a honra suprema de ver o meu primeiro livro alvo de uma crítica no afamado semanário Expresso. Respeito e estimo o autor da crítica, José Mário Silva, pessoa que leva muito a sério o seu trabalho. Eu, BVA, talvez não me leve demasiado a sério (José Mário Silva acha que a “desconcertante flexibilidade” do meu livro é denunciadora desse facto), mas também levo muito a sério o meu trabalho. E por esse motivo, porque somos duas pessoas que levamos muito a sério o nosso trabalho, tenho a dizer que a crítica de José Mário Silva é perfeita. Melhor, seria perfeita se o livro tivesse quatro páginas e essas quatro páginas fossem as do índice (acrescentemos, por caridade argumentativa, as da introdução). Acontece que este livro tem mais algumas páginas para além do índice. A estas, José Mário Silva dedica o último parágrafo onde me condecora com as medalhas da “argúcia na análise e o rasgo estilístico”. E acrescenta, conquistando o meu reconhecimento eterno, “Bruno Vieira Amaral resgata personagens ao respetivo ‘habitat’ literário e mostra-nos, em prosa vívida, concisa e por vezes exaltante, todas as suas grandezas e defeitos. Ou seja, toda a sua humanidade.” Como se vê, a 98% do livro (os textos em que analiso, interpreto e, de certa forma, recrio as personagens que escolhi) José Mário Silva dedica 20% da sua crítica. O restante é o primeiro parágrafo informativo da praxe e mais dois parágrafos sobre os critérios de escolha das personagens em que o pensamento de José Mário Silva se resume a uma ideia: e o Lobo Antunes, pá? Mea culpa. Numa 2ª edição, se a houver, deste livro, que tem por título Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, pedirei à editora que o título seja alterado para Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa O Qual Acintosamente Não Inclui Qualquer Personagem de Lobo Antunes. Repare-se que o livro não tem o título Guia Para as 50 Melhores Personagens da Ficção Portuguesa, nem sequer o título de Guia Para 50 Personagens dos Melhores Romancistas Portugueses. Repare-se também que escrevo, na introdução (são aquelas páginas que se seguem ao índice), o seguinte: “No entanto, em nenhum momento este livro pretende estabelecer um ranking de personagens e, muito menos, de escritores.” Ou seja, eu escolhi as personagens sobre as quais achei que tinha alguma coisa para dizer. Por um motivo que não vislumbro, José Mário Silva acha que eu devia ter alguma coisa para dizer sobre alguma personagem de Lobo Antunes e que, não tendo, deveria ainda assim ter incluído algum porque, enfim, quer-se dizer, o Lobo Antunes. Diz José Mário Silva que isto “assemelha-se mais a uma provocação do que a um esquecimento.” E di-lo sem duvidar da “honestidade intelectual de quem a fez.” Caramba, eu diria que isto se assemelha a pôr em causa a honestidade intelectual de alguém ao mesmo tempo que se jura o contrário. Tenho a certeza que isto tem um nome, talvez o de uma figura de estilo, não sei. Só quero confirmar que a não inclusão de uma personagem de Lobo Antunes não se deve a um esquecimento. Nisso, José Mário Silva tem razão. Não foi como se eu tivesse acordado na manhã depois de ter entregado o livro e dissesse: “Foda-se, esqueci-me do Lobo Antunes.” Se o José Mário Silva acha que a única alternativa ao esquecimento é a provocação então lembre-se disso quando determinado livro não merecer a honra de uma recensão no Expresso: ou alguém se esqueceu ou alguém está a provocar. Parece que José Mário Silva também não gostou que, afinal, as 50 personagens sejam 51, perdão, 55, uma informação que maldosamente só é revelada ao leitor...no índice. Passo a explicar esta “desconcertante flexibilidade” que significa que não me levo demasiado a sério: Léah, a 51ª personagem, foi incluída neste livro porque, ainda no início, o Manuel Fonseca, editor da Guerra e Paz, um apaixonado pela personagem criada por José Rodrigues Miguéis, disse-me que era uma personagem fascinante. Como não tinha outras personagens de contos, decidi, por uma questão de coerência, fazer de Léah (que é, de facto, uma personagem apaixonante) uma espécie de bonus track. Quanto aos casais, a explicação também é relativamente simples: havia personagens das quais me era muito difícil falar sem estar constantemente a referir a outra metade do casal. A questão colocou-se desta forma: nesses casos contabilizo uma ou duas personagens? Decidi que os casais seriam apenas uma personagem, abrindo dessa forma espaço para outras. Coisas simples, como se vê, e sem qualquer mistério numa obra com “estas características.” E estas características são as de um livro cuja ideia é minha, que não é uma antologia, que não é uma enciclopédia nem um dicionário (e que inspirando-se no livro de Manguel e Guadalupi é de uma natureza diferente) e cuja justificação para a sua existência está, não no critério de escolha das personagens (discutível, é certo), mas nas qualidades (atente-se no plural, quero dizer, características) dos textos sobre as personagens que, quanto a mim, são a melhor justificação para a inclusão destas personagens e não de outras. José Mário Silva acha que não. Talvez ele esteja a confundir as características deste livro (que é um livro de autor e não uma obra de referência) com antologias de poesia ou quejandos que, no nosso país, geram sempre tão saborosas polémicas. Sobre esses livros é que não se pode discutir os textos em si (já existentes) e o único objecto da crítica deve ser precisamente o critério. Nesses casos, o crítico nem precisa de ler mais do que o índice para escrever a sua recensão. Tenho pena que o José Mário Silva, tendo lido mais do que o índice, tenha reduzido a sua crítica praticamente à questão do critério da escolha das personagens – que em nenhum momento se afirma como universal ou definitiva – talvez na ânsia de uma dessas paroquiais, fúteis e antológicas discussões sobre quem está fora e quem está dentro. Preferiu destacar a ausência de Lobo Antunes, concluindo a recensão com um elogio banal e até, tendo em conta o que escreveu antes, condescendente. Parafraseando um professor meu, o que não está no meu livro daria para encher várias bibliotecas. Neste caso, ainda só deu para uma recensão no Expresso, mas não há razões para desespero porque o livro também só saiu há duas semanas. Gostaria que numa próxima oportunidade a recensão fosse sobre o que eu escrevi. Eu sei que é pedir muito mas, citando o saudoso José Torres, “deixem-nos sonhar.”

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publicado às 18:37


Volta às crónicas, Amanda, estás perdoada

por Bruno Vieira Amaral, em 10.05.13

"Which authors do you most admire?

 

Vladimir Nabokov, Fyodor Dostoyevsky, Jonathan Safran Foer, David Foster Wallace. . . . I like authors who experiment with narrative and delve into very specific conditions within their characters in order to expose universal truths about humanity. After reading, I like to feel that I’ve experienced, learned, identified, been challenged and been provided with insight."

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publicado às 10:52





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