urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudorAtentado ao PudoratentadoaopudorLiveJournal / SAPO Blogsatentadoaopudor2013-10-14T22:35:03Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:38081Bruno Vieira Amaral2013-09-06T12:31:4611 de Outubro2013-09-06T11:32:47Z2013-10-14T22:35:03Z<p>Desculpem lá a intromissão.</p>
<p> </p>
<p><a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/circodalama/fotos/?uid=H5K6SfeOOLcl8TV6qKPm" rel="noopener"><img style="border: 0px currentColor; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B47018158/15673690_y76sY.jpeg" alt="" width="319" height="500" /></a></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:37777Tiago Moreira Ramalho2013-09-03T11:08:52Homo Autarquicus2013-09-03T10:19:47Z2013-09-03T10:19:47Z<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/oWkqyCCa6lA" width="425" height="344" frameborder="0"></iframe></div><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"></div><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/pZonZntFU7Y" width="425" height="344" frameborder="0"></iframe></div><br /></div><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"></div><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/PIOag40A7L4" width="425" height="344" frameborder="0"></iframe></div><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"></div><br /><div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: left;">Nem "nisto" conseguimos superar o estrangeiro. Resta avaliar por aqui a pertinência de uma coisa chamada Partido Trabalhista Português, que além do Jel-Ruce-Neto em Cascais, apresentou o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JC8o8qmf_o8" rel="noopener">extraordinário Manuel Almeida em Gaia</a>.</div>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:37428Tiago Moreira Ramalho2013-09-02T17:50:48Um erro2013-09-02T16:56:55Z2013-09-02T16:56:55Z<p>No seu recente livro «Os Privilegiados», o jornalista Gustavo Sampaio, relatando o caso da minha nomeação, apresenta-me como sendo membro da Comissão Política da JSD de Almada para a área de «comunicação e imagem». Não teria notado, caso o <a href="http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">João Gonçalves</a> não me tivesse chamado a atenção para isso, um dia que se passeava pela Fnac. Entretanto, já lá vão 4 edições e muita gente achando-me um arregimentado jotinha. Enviei uma mensagem ao jornalista e autor do livro, que, após alg<span class="text_exposed_show">uma resistência, pois parece que há mesmo um Tiago Ramalho na JSD de Almada (ainda que não seja eu), acreditou que havia um erro. Felizmente, e porque o rigor jornalístico é coisa a respeitar, Gustavo Sampaio garantiu-me que haverá uma correcção em possíveis edições futuras e publicou uma «<a href="http://osprivilegiados.blogspot.pt/2013/09/nota-de-rectificacao.html" rel="noopener">Nota de rectificação</a>» no seu blogue e partilhou-a (ainda que com alguma timidez) na <a href="https://www.facebook.com/osprivilegiados.aesferadoslivros?fref=ts" rel="noopener">página do Facebook referente ao livro</a>. Apresentou as suas desculpas aos leitores e ao visado - a mim, portanto. Resta dizer que as desculpas estão aceites.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:37364Rui Passos Rocha2013-08-28T16:19:38Apagar o fogo2013-08-28T15:20:22Z2013-08-28T15:36:34Z<p>Ouvi dizer há tempos que os países da Europa do Sul, por serem aqueles em que as leis e a Justiça pior funcionam na Europa comunitária, são também aqueles em que mais advogados e juristas há por, vá, 1000 habitantes (não fui confirmar: dá demasiado trabalho e a "certeza" deste "facto" é o que sustenta o que vou dizer a seguir, logo não me convém infirmá-lo). Acontece que, segundo o Correio da Manhã, esse farol de coisinhas deliciosas, pelo menos 10 fogos dos que têm tirado o sono a muitos bombeiros - e a muita gente de esquerda raivosa de fraternidade - foram <a href="http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=3390943&especial=Revistas+de+Imprensa&seccao=TV+e+MEDIA" target="_blank" rel="noopener">ateados pelo mesmo homem</a> como vingança por a sua ex-namorada o ter trocado por um bombeiro. É ternurento, não é?</p>
<p> </p>
<p>Eu sei que uns quantos especialistas associam a maior área florestal ardida no Norte e no Centro ao facto de os pinheiros bravos e os eucaliptos, que por ali pintam a paisagem, arderem muito melhor do que os sobreiros do pachorrento Alentejo. Isto é factual, mas os factos são aborrecidos. Gosto de pensar que deus nosso senhor estava em dia não quando decidiu juntar flora de boa combustão e gentes mais conservadoras do que a média numa mesma área geográfica. Perdoemos-lhe, como pede Jesus no evangelho de Saramago. E convenhamos que, sendo as gentes deste tipo e as árvores daquele, a empregabilidade para bombeiros nesta área do país é coisa para merecer um brinde - com cerveja, é certo - de Pires de Lima. Mais a Sul, onde se faz cortiça, a casca grossa dos sobreiros pode bem ser parte do que faz dos homens mais homenzinhos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:37116Tiago Moreira Ramalho2013-08-23T13:28:07Um homem justo2013-08-23T12:29:52Z2013-08-23T12:29:52Z<p>O dr. Menezes, excelso político do Norte, prestabilíssimo Presidente de (ou da?) Câmara, bom mediador entre o povo ignaro e o produto financeiro sofisticado, tem ajudado, esperamos que do próprio bolso, um vasto conjunto de pessoas que infelizmente precisam de ajuda. Competente e bom, o dr. Menezes, que não deixa o povo à míngua. Pelo menos não agora, que falta pouco para Setembro. Diz-nos o <em>Público</em> que, entre outros jeitinhos, o dr. Menezes já pagou rendas de casa, contas de luz e tem fornecido porcos com fartura para as festinhas de bairro. «Ele matou a fome a muita gente», diz uma senhora, claramente impressionada. Pelo caminho, assegura, por via da sua prestimosa secretária pessoal, que se for Presidente da Câmara do Porto fornecerá habitação social aos vários queixosos que, por estes dias, têm visitado a Câmara de Gaia. O dr. Menezes ganha deste jeito uma aura de senhor feudal. Não apenas na compra das lealdades, mas também na sobrevivência por conta delas. Uma aura apenas possibilitada pela perigosa combinação de duas coisas: um recrudescimento da miséria, por um lado; um carácter singular, por outro. Dizem as sondagens que vai ganhar. Façam bom proveito.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:36858Rui Passos Rocha2013-08-21T20:28:58Agora a sério2013-08-21T19:29:57Z2013-08-21T19:34:17ZNão sei se é da minha feliz falta de preocupações, se das parcas notícias que me temperem e ocupem com vidas alheias: facto é que o Jardim da Estrela nem sempre me é só cenário idílico e local privilegiado para umas leituras. Há coisa de um mês, lembrarei bem, aconteceu-me fixar o olhar num pato-bebé que se deixou ficar para trás a meio da particular Marcha dos Pinguins empreendida pela família, desde um lago até um jardim afastado (tão afastado que os perdi de vista). Não pude voltar à ficção escrita enquanto o ouvia grasnar debilmente; só o fiz, e por pouco tempo, quando uns 20 minutos depois parte da parentela adulta o resgatou.<br /><br />Hoje foi bem pior. Sentado noutro banco, dividia eu o tempo entre ler e observar o miúdo que, esquina sim esquina sim, caía do triciclo. O que me fez olhar para o chão junto a mim, e ver um farrapo preto lá estendido, foi o estalido anormal que ouvi à passagem do miúdo pela minha frente. Não era um farrapo: era um pombo com, quero acreditar, apenas uma asa partida. Ainda o quero crer, mesmo tendo visto o pombo arrastar-se vagarosamente pelos dois metros que o separavam do local do crime à valeta mais próxima; mesmo tendo visto o mesmo miúdo pisar-lhe, ao de leve é certo, a ponta de uma asa (só não lhe colocou de novo um pneu em cima, numa terceira ronda, porque desistiu com o meu protesto); mesmo tendo visto outro miúdo dar-lhe, involuntariamente, um pontapé no bico enquanto se concentrava em vergastar o ar para assustar os patos em torno; e mesmo tendo registado, para uma memória de nada curto prazo, as bicadas desesperadas com que outro pombo, sempre junto ao moribundo, o tentava reanimar.urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:36522Rui Passos Rocha2013-08-16T17:38:22Sentir coisas (2)2013-08-16T17:16:02Z2013-08-16T17:16:02Z<p><span class="saportelink"><img style="border: 0px none; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bad02606a/15598448_qn4OM.jpeg" alt="" width="240" height="172" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="saportelink"><br /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="saportelink"><em>A Sandrinha não foi na cantiga, por isso optou pelo </em>second best<em>, confesse lá.<br /></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span class="saportelink"><br /></span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="saportelink">Não só nas candidaturas às freguesias de Lisboa - como demonstrei abaixo - há corações palpitantes de direita. Se o/a caro/a leitor(a) lê tão boa imprensa quanto eu, a esta hora saberá que Judite de Sousa (lê-se Juditfff de Sousa) está a preparar o divórcio de Fernando Seara, com quem partilhou 10 anos de voz afectada e benfiquismo troglodita. E saberá provavelmente ainda mais: que na origem da ruptura está - e eu morra aqui se o Correio da Manhã não está como sempre certo - uma relação, ou embrião de relação, entre Seara e a sua vereadora sintrense Ana Isabel Duarte. </span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="saportelink"><br /></span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="saportelink">Diz o CM que Ana Isabel, a responsável das contas em Sintra, já terá anunciado que assumirá idêntico cargo em Lisboa caso <span style="text-decoration: line-through;">o seu carequinha</span> Seara vença as autárquicas. Eu não sei quanto a vossemências, mas eu acredito na gestão de dinheiros por um casal apaixonado. Aliás, se Passos Coelho e Vítor Gaspar... vocês sabem, duvido que o país continuasse perto de um segundo resgate. Infelizmente contrataram o patrão da Super Bock, Pires de Lima, já depois de Gaspar bater a porta e com isso liquidar todas as hipóteses de uma paixoneta, ainda que regada a álcool, mas sempre com o sentido de responsabilidade que os tempos difíceis requerem.<br /></span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="saportelink"><br /></span></p>
<p style="text-align: left;"><span class="saportelink">As paredes de Lisboa, repletas de mensagens e graffitis de amor, votariam Seara se este fosse um país democrático. Agora que o tribunal da capital deu luz verde ao romance, perdão, à candidatura de Seara, apenas o coração empedernido dos lisboetas poderá obstar a que Seara e Ana Isabel cheguem de comboio à capital, na meia noite após a vitória eleitoral, e como Lenine na Finlândia sejam aclamados, lhes seja cantada a Marselhesa e o mundo finalmente possa ouvir as preces de paz e amor das sucessivas Misses<em></em>.<br /></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:36218Rui Passos Rocha2013-08-14T14:47:37Sentir coisas2013-08-14T14:02:08Z2013-08-14T14:06:04Z<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><span class="saportelink"><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6002f9b9/15590475_JN3bb.jpeg" alt="" width="500" height="110" /></span></div>
<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"></div>
<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><em>Um banho de imersão e isso passa-te</em>.</div>
<p> </p>
<p>Quero agradecer publicamente a quem, da candidatura de Fernando Seara, tentou que o slogan <em>Sentir Lisboa</em> fosse adaptado a todas as freguesias. Tenho a certeza de que alguém o propôs, a bem da uniformidade e poesia da coisa, tendo logo sido posto em sentido pelos colegas. Imagino uma cena ao estilo 12 Angry Men:</p>
<p> </p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/gTDhgR3p12w" width="500" height="350" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p>
<p> </p>
<p>O primeiro a levantar-se - logo o mais fundamentalmente contra a proposta de que todos <em>sentissem</em> as suas freguesias - foi Vasco Morgado, que, quiçá não sem antes apalpar o rabo para se certificar de que tudo se mantivera intacto, exclamou: "Eu recuso-me a <em>Sentir Santo António</em>". É compreensível. Afinal o santinho é o famoso padroeiro de, entre outras, as pessoas que desejam encontrar objectos perdidos. Felizmente o Estabelecimento Prisional de Lisboa (aquele ali no topo do Parque Eduardo VII), onde muitos sabonetes são dados como desaparecidos, pertence à freguesia de Campolide. Logo a seguir a Vasco Morgado terá sido a vez, por motivo semelhante, de Paulo Quadrado (São Vicente) e Ricardo Crespo (São Domingos de Benfica). António Manuel, o candidato a <em>Sentir Santa Maria Maior</em>, poderá ter ficado indeciso, mas não dou certezas para não ganhar fama de desbocado. Por fim, desconheço o que terão sentido e feito Carlos Macedo (Beato) e Luís Madeira Carvalho (Misericórdia), mas todos sabemos até que ponto um fundamentalista religioso se pode abrir à mensagem divina.</p>
<p> </p>
<p>Interessa-me sobretudo o caso de João Grave, o candidato à minha freguesia, Arroios. Trata-se do único candidato a querer <em>sentir</em>, no caso "uma pequena corrente de água", sendo este o significado que o meu dicionário dá a um <em>arroio</em>. Eu não tenho nada contra isso; só acho que não havia necessidade de o publicitar. Pessoalmente também tenho um gostinho particular em deitar a carcaça na água quente da banheira e sentir a leve corrente beijar todos os meus poros, mas até hoje, e juro pela minha mãezinha, não senti pulsão de o colocar em cartaz. Confesso que não sei também o papel que Isabel Pinto Pereira, a candidata da coligação ao Lumiar, terá em <em>Sentir Arroios</em>, dado o meu dicionário definir <em>lumiar</em> como <em>tirar de um campo a água do Inverno</em>. O que me deixa descansado é que Nuno Jordão (Ajuda), ainda que não tenha particular interesse em <em>Sentir Ajuda</em>, fosse isso o que fosse, quer <em>Todos por uma Ajuda melhor. </em>Acho que João Grave vai precisar.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:35946Rui Passos Rocha2013-08-10T12:09:06Uma coisa é certa2013-08-10T11:10:25Z2013-08-10T11:12:22Z<p style="padding-left: 30px;"><em>"Não deu para perceber se eram de esquerda, direita ou anarquistas". Uma coisa é certa, acrescenta: "Eram açorianos".</em></p>
<p> </p>
<p>Aqui está algo que me aquece o coração. Mais quentinho do que isto só imaginando a expressão facial de Christopher Hitchens quando lhe ocorreu dar o título <em>The Missionary Position</em> à sua biografia da Madre Teresa. É impagável; é por merdas destas que dizem que o dinheiro não é tudo. No caso em apreço, ou neste caso sem preço, dois tipos a rondar a minha idade, e provavelmente também a minha idade mental, executaram a seguinte manobra de alto risco: furaram bravamente as linhas estratégicas das Forças Armadas portuguesas e deslocaram-se ao centro nevrálgico do regime, a Rádio Horizonte de Bobadela, de onde reivindicaram a independência dos Açores. O plano foi tão bem gizado que o locutor - ainda atordoado porque, coitado, nunca lhe ocorrera que a próxima guerra civil em Portugal começaria na sua pachorrenta Bobadela - conseguiu abafar a sua leitura do comunicado dos revolucionários mantendo a música no ar. Os ditos revolucionários, por sua vez - e note-se que são revolucionários modernos, sem ideologia nem credo, apenas com a sua identidade vincada, mesmo que não o queiram, bastando-lhes abrir a independente boca -, controlaram de tal modo o acto revolucionário que não deram conta sequer de que o locutor não estava bem posicionado junto ao microfone para que o povo apático e desejoso de uma revolução de inspiração açoriana o entendesse. "Foi uma cacofonia e ninguém entendeu", disse entretanto o director da rádio. Tenho só pena que a leitura não tenha sido feita pelos revolucionários, pois certamente a esta hora já circularia por onde tudo o que é sério e importante circula: o YouTube. Tenho aqui um pacote de pipocas que agradeceria.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:35783Rui Passos Rocha2013-08-06T11:30:25Como se dissesse água2013-08-06T10:47:29Z2013-08-06T11:34:47Z<p>No livro <a href="http://www.newyorker.com/online/blogs/books/2013/07/love-actually.html" target="_blank" rel="noopener"><em>The Love Affairs of Nathaniel P.</em>, de Adelle Waldman</a>:</p>
<p> </p>
<p style="padding-left: 30px;">“We see the contradictions of the social world in which Nate lives—a world in which women are outspoken and independent, and yet, confusingly, seem to wilt at the slightest sign of disinterest from a man; a world where men can delay commitment infinitely if they prefer, while women begin to feel constrained by time. […] The pleasures of this novel—its lucidity and wry humor—are mixed with the sting of recognizing the essential unfairness of the sexual mores of our moment: after years of liberated fun, many women begin to feel terribly lonely when realize they want a commitment; men, who seem to have all the power to choose, are also stuck with an unasked-for power to inflict hurt. We’ll have to keep searching for an arrangement that works better, and monogamous coupledom may not be it, Waldman suggests. But she offers no balm, no solution—and tacitly resists a culture that offers sunny advice and reassurance to women.”</p>
<p style="padding-left: 30px;"> </p>
<p>Posso propor uma solução alternativa, posso? Que tal homens e mulheres se compreenderem um bocadinho melhor? É que, não sei, as paredes de Paris, essas cuscas, têm imensas histórias – da comuna ao pós-68 – para contar de como as relações libertinas serviram acima de tudo os homens e as mulheres bêbedas de ideais contraditórios com a sua natureza. Mais do que isso, serviram sobretudo a juventude, ávida de experiências – o que é óptimo e envolve pernas e outras coisas.</p>
<p> </p>
<p>“She offers no balm, no solution”? Que solução querem, que quadratura do círculo procuram que não seja a pura e simples procura de confirmação de uns nos outros, uma identificação mútua tal que se superioriza à mera empatia? É curioso que quase todas as propostas, sobretudo as vindas de homens, impliquem a cedência do sexo feminino à inconstância e ao experimentalismo masculino. É óptimo não é – para nós deste lado? A libertação sexual de há uns 50 anos foi maravilhosa, sim senhor, mas cá estamos nós de novo, monógamos, em busca de uma relação estável. Bem, elas mais do que eles, arrisco, porque eles chegam lá às apalpadelas (literalmente) e elas, muitas delas pelo menos, chegam lá mais por poder argumentativo deles (e umas apalpadelas pelo meio também, que as palavras não aquecem assim tanto). E ah, quão picuinhas elas conseguem ser, dizemos nós deste lado. Picuinhas? Experimentemos ter tanto a perder quanto elas. Sim, a perder. Afectivamente. Até biologicamente.</p>
<p> </p>
<p>Não sei quantas ruas deve um homem caminhar até ser chamado homem, como canta o Bob Dylan, mas sei que a ideia de uma relação estável só se lhe atravessa nas fuças no exacto momento em que é óbvia e materializada. Até lá há que divertir-se, mais ou menos, há que testar, concedo com gosto. Lá chegado abre-se-lhe todo um mundo de certezas que o chocam, tal é a discrepância entre elas e as dúvidas de outrora. São certezas óbvias, incontestáveis. Torna-se até, perdoem os cínicos, um sentimental como Miguel Esteves Cardoso na crónica em que diz ter-se borrado de medo de que a sua Maria João, quando reabilitada, não o amasse mais. O tipo que passava os dias com ela, escrevia prosas de uma perdição inusitada sobre ela, leu que os tumores do tipo que ela sofreu podem mudar a personalidade e sofreu por antecipação com a hipótese remotíssima de que ela o deixasse. Isto sim, é límpido como sentimento. Como é límpida a epígrafe de Saramago no Caim: “A Pilar, como se dissesse água”.</p>
<p> </p>
<p>É claro que mesmo o poder argumentativo, e agora dirijo-me às duas ou três senhoras que me lerão, é escorregadio: Pablo Neruda viveu anos e anos com Matilde, dedicou-lhe e, mais do que isso, baseou-se nela para dezenas de poemas, e mesmo assim, quando Embaixador em Paris, não resistiu a fazer-se à sobrinha dela, ou então era a criada da casa, uma das duas foi de certeza. Mesmo assim, vejam só, Matilde esteve com ele até à morte. Também Chico Buarque, o experimentalista-mor, talvez porque a intensidade das relações o inspirava, talvez porque ao se deixar levar para inúmeras relações desse tipo não encontrou a pessoa certa, foi provavelmente o tipo que mais corações despedaçou no século XX brasileiro, logo a seguir aos fofinhos dirigentes da ditadura militar. Bom para ele, não tão bom para elas, mitológico para inúmeras porque afinal aqui está um tipo com o poder de as perceber.</p>
<p> </p>
<p>Onde quero chegar com tanto devaneio? A muito em forma de pouco: é possível compreender os anseios e as preocupações de uma mulher, até de várias mulheres se se for Chico Buarque. É mais provável consegui-lo tendo-se a dose certa de romantismo e, sobretudo, sabendo-se claramente o que se quer. É esta a parte difícil. Do mesmo modo, parece-me avisado da parte de uma mulher saber, também ela, o que quer, e não se deixar vergar facilmente pelo poder argumentativo do outro lado, porque é bem mais provável vir a ser vítima de experimentalismo do que vir a ser alvo da rara, raríssima, prova de confirmação natural que caracteriza o duradouro, o sublime.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:35352Tiago Moreira Ramalho2013-08-01T10:50:54A lareira do exame2013-08-01T10:15:05Z2013-08-01T10:15:05Z<p>«“ (...) E assim, Lídia, à lareira, como estando/deuses lares, ali na eternidade/Como quem compõe roupas/O outrora componhamos/Nesse desassossego que o descanso/Nos traz às vidas quando só pensamos/Naquilo que já fomos/E há só noite lá fora”. O poema de Ricardo Reis, impresso no enunciado do exame nacional de Português do 12.ºano, fez a vida negra aos estudantes; foi-lhes pedido para explicitarem os valores simbólicos do espaço e do tempo em que ocorrem as recordações do passado, mas alguns dos alunos, em vez de se referirem à lareira como símbolo de tranquilidade e de segurança e à noite como tempo de eleição em Ricardo Reis para representar a velhice e a aproximação da morte, preferiram explorar uma interpretação mais livre.</p>
<p>Alguns responderam que Ricardo Reis “pôs-se à lareira porque tinha vindo do trabalho e estava cansado”. Outros optaram por argumentar que o heterónimo de Fernando Pessoa “esteve a compor a roupa” e foi para a lareira para “descansar das lides domésticas”. Houve quem dissesse que “tinha acabado de passar a ferro”. E ainda: “O tempo em que ocorreram as recordações estava mau e por isso ele foi para a lareira”.» <a href="http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=80783#.UfotN41TiMA.facebook" rel="noopener">Jornal Sol.</a></p>
<p> </p>
<p>Percebo as dificuldades substanciais de se preparar um exame nacional de língua portuguesa, com a necessária análise de poesia e prosa, sem que haja critérios mais ou menos uniformizadores. Ao mesmo tempo, contudo, aflige-me a ideia de uma interpretação certa (ou errada) de um objecto artístico. O declínio das humanidades nasce da tentativa de explicar aos aspirantes que o que eles estão ali a fazer é aprender <em>factos</em>. Daí a termos um jornalista (que certamente virá das «humanidades») a dar como certa a «lareira como símbolo de tranquilidade e de segurança» e assim, é um saltinho lamentável. Mesmo que os catraios sejam todos umas bestas.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:35257Rui Passos Rocha2013-07-29T23:15:08Canção de engate2013-07-29T22:15:52Z2013-07-29T22:15:52Z<p>Ó Tiago, Tiaguinho, vá lá, não faças isso. Perdes tanto tempo a discutir com a Maria Teixeira Alves que não te apercebes de que já lhe conquistaste a desindiferença. Eu sei que a palavra não existe, calma. Mas a desindiferença é o passo fundamental. A partir de agora será sempre a subir - se ao cimo dela e só para a sentir, como cantava Manuela Moura Guedes, vocês lá verão. Digo-te com franqueza: às vezes no silêncio da noite eu fico a imaginar-vos aos dois. E é lindo prever o brilhozinho nos olhos dela quando tu lhe disseres vem que amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz; vem que amor é o momento em que eu me dou, em que te dás. Homem, ela vai cair-te aos pés. Ainda mais se lhe disseres que não te importas com o quão intempestiva é. Diz-lhe algo deste género: acredito e entendo que a estabilidade lógica de quem não quer explodir faça bem ao escudo que és. Tal como tu, como eu, como todos, ela resiste a ir viver no bairro do amor, onde cada um tem de tratar das suas nódoas negras sentimentais. A tua tarefa é assegurar-lhe de que não há nada a temer. Mas não tenhas dúvidas de que toda a virulência dela contra a tua suposta homossexualidade, a que respondeste sugerindo que ela possa preferir Vénus a Marte, é apenas a carapaça que a protege de se desvendar: ela quer que o teu paletó enlace o seu vestido, como canta o Chico Buarque. Ela quer que um dia lhe dediques a tua obra-prima, assim ao estilo de Saramago para Pilar: "À Maria, como se dissesse água". Nota que poderias ter em mãos uma preciosidade: para além de não ser, tanto quanto pude imagegooglar, nada despiciendo, ela quer-te posto à prova: prova-lhe que não és gay, que ela provará que nada tem de lésbica, e nesta descoberta poderão até jogar um com o outro, se for coisa que vos excite, inverter os papéis até à exaustão. Já imaginaste a diversão? Esquece lá o progressismo por um bocado, ele não te vai aquecer os pés nas noites de inverno: leva-a a um amor egoísta e natural como um rio que segue o seu curso, como canta um tipo do país da bota. Com ela poderás não ter o que a todos enfada: um amor civilizado, com recibos e a cena do sofá, como canta outro senhor. Vai com ela que vais com Deus; talvez não tão figurativamente quanto quererias, mas vais. Haja paz e amor entre vós, sobretudo se devidamente documentados por uma câmara de filmar.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:34958Tiago Moreira Ramalho2013-07-28T22:53:04Maria [2]2013-07-28T21:54:32Z2013-07-29T10:01:34Z<p>Maria Teixeira Alves será, em termos blogosféricos, uma espécie de Carlos Santos ao contrário. Este começou como um feroz social-democrata e terminou como um devoto democrata-cristão. Aquela é hoje a mais babosa boquinha contra a libertinagem, os maus-costumes e a vagabundagem, no sentido <em>cesarinyico</em> do termo. Possivelmente descobriremos daqui a alguns meses que é, na realidade, uma lésbica feliz, em união de facto com uma Marlene pugilista, que lhe dá os melhores orgasmos e com quem partilha um T1 na Estrela.</p>
<p>Ninguém disse que a liberdade para todos não comporta custos.</p>
<p> </p>
<p>Adenda: Para que nos não assaltem as dúvidas, Maria Teixeira Alves veio aqui deixar em comentário o seguinte em sua defesa: «<span>Ó meu amor, aí está uma coisa que não há o maior dos perigos de ser verdade, mas desafio-te a provares, caso contrário não passas de um GRANDE MENTIROSO.» Ficamos todos muito mais descansados.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:34710Tiago Moreira Ramalho2013-07-28T22:35:30Maria2013-07-28T21:39:48Z2013-07-28T21:41:27Z<p>Chegou-me <a href="http://adireitaarrependida.blogs.sapo.pt/9604.html#comentarios" rel="noopener">isto</a> de um amigo que julgava que este Rui C Pinto era o nosso Rui Passos Rocha. Confusões lamentáveis, mas que me trazem de novo à extraordinária <a href="http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/" rel="noopener">Maria Teixeira Alves</a>, senhora assaz tonta a quem teriam sido de muito proveito umas sovas no recreio na idade apropriada. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:34347Tiago Moreira Ramalho2013-07-28T16:39:29Os trabalhos do Casanova2013-07-28T15:41:13Z2013-07-28T18:25:00Z<p><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd401fcbe/15519320_LybEo.png" alt="" width="330" height="500" /></p>
<p> </p>
<p>Há uns dias, na entrevista que Martin Amis deu à LARB, e da qual dei conta aqui a propósito de coisas pequenas, falava-se da «democratização» (um termo francamente infeliz neste âmbito) da crítica literária (porventura ditatorial em eras já perfeitas). A coisa não é nova. No prefácio ao belíssimo «The War Against Cliché», Amis partilha a mesma preocupação, explorando-a um pouquinho mais: «The reviewer calmly tolerates the arrival of the new novel or slim volume, defensively settles into it, and then sees which way it rubs him up. The right way or the wrong way. The results of this contact will form the data of the review, without any reference to the thing behind. And the thing behind, I am afraid, is talent, and the canon, and the body of knowledge we call literature.» Sem querer parafrasear detentores do grande capital – nisto, como Martin Amis, há muitos.</p>
<p>Não sei se Rogério Casanova é o tipo de pessoa que comente os livros no site da Amazon, mas quando falamos de erupções espontâneas de crítica literária através de meios pouco ortodoxos, ele é um bom exemplo de que nem tudo tem de desembocar em falta de talento. Apareceu num blogue, o <em>Pastoral Portuguesa</em> (há uns tempos fingiu que ia voltar). Daí, foi para a revista LER, depois para o Expresso e para o Público. Estranhamente, agora só está na LER, onde tem duas gordas páginas logo à entrada, além dos ocasionais textos longos lá mais para o meio. Em tudo isto foi brilhante. O livro <em>Pastoral Portuguesa</em> justifica parte da afirmação. O livro <em>Trabalhos de Casa</em> justifica o que resta.</p>
<p>Entendamo-nos: Rogério Casanova não é um crítico comum. Além dos artigos de polémica (possivelmente os mais interessantes), reunem-se aqui 50 críticas a livros. Das 50 (esta contabilidade é um pouco típica nelas), 31 são a ficção de autores anglo-americanos contemporâneos (ou quase), claramente o solo preferido de Casanova. Temos, depois, 3 de crítica literária de autores anglo-americanos contemporâneos. Seguem-se 2 livros de ficção de autores anglo-americanos que não são nada contemporâneos. Há dois russos mortos, um D.H. Lawrance também morto, e o José Rodrigues dos Santos. Sobram alguns, mas não vamos detalhar mais. Este «padrão de especialização», que ficou marcadinho na entrevista que fez a Geoff Dyer para a LER, já o torna invulgar por cá. Casanova parece importado de uma revista americana.</p>
<p>Ainda que a completa ausência de António Lobo Antunes (nem um) nos faça duvidar, percebemos que é português pela escrita. Não quero gastar aqui o Wilde, mas, enfim, é Domingo, e o homem escreve maravilhosamente. É um artista. Repete-se em algumas fórmulas. Ele mesmo nos avisa no prefácio para algumas. Por exemplo, na página 86 escreve: «uma cultura literária mais sã seria capaz de indentificar <em>Freedom</em> como aquilo que é» (o resto não interessa agora); na página 92, com o livro já editado em português, explica-nos que «uma cultura mais sã talvez pudesse ter recebido <em>Liberdade</em> como aquilo que é». É verdade que aquela é de Dezembro de 2010 e esta de Abril de 2011, e a suavização do tom (olhe-se para o «talvez») pode revelar que Casanova repensou a questão, que já não acha tudo tão evidente, tão, pronto, a preto e banco, e tal. Porque somos magnânimos, deixamos escapar.</p>
<p>O que importa aqui, porque é isso que se procura num livro desta natureza, é que Rogério Casanova nos ensina a ler. Isto será um cliché, mas nem todos são maus. O dever do crítico é, através do exemplo, ensinar-nos a ler melhor. A captação de pequenas malandrices (e aqui alargamos o âmbito) só é possível através da aprendizagem com quem o faz melhor. No prefácio do livro, Rogério Casanova pede-nos desculpa. Da minha parte, está tudo bem.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:34301Rui Passos Rocha2013-07-24T16:45:26Ninguém2013-07-24T16:04:19Z2013-07-24T16:25:11Z<p>Acabei de ler um pouco interessante livro de Eduardo Galeano sobre futebol e passei para <em>O General no seu Labirinto</em> de Gabriel García Márquez, que retrata os últimos tempos de Simón Bolívar. Tal como o conquistador, o craque Maradona dependia da aclamação para justificar a abdicação que foi desde cedo a sua existência: "Necessito que me necessitem", disse, já curvado pelo peso da fama e da cortisona. Bolívar passou largos meses a jurar que deixaria a governação, mas desistiu sempre com os apelos dos apoiantes. Até que foi levado à decisão irrevogável - e aqui uso a palavra não no sentido do novo Acordo Semântico aprovado por Paulo Portas - e, com apenas o mordomo indefectível e Hugo Chávez bem longe dos planos divinos, se entregou aos desprazeres da melancolia e da ansiedade, só quebrados, a espaços, pelas visitas da namorada e uns quantos passeios junto ao rio. Menos sedentos de aclamação foram outros dois futebolistas, Eusébio e Garrincha, também eles geniais e, como Maradona, nascidos na pobreza. Garrincha era o miúdo de corpo disforme que todos desencorajavam mas que triunfou e acabou agarrado às lembranças e ao álcool. Eusébio, o 'pantera negra', foi em criança, enquanto não encantava nem fazia lucrar, carinhosamente apelidado de 'ninguém' lá em Moçambique. Portugal abraçou-o assim que percebeu que ele prestava para alguma coisa. Que prestava muito. Talvez ele não tenha esquecido, porque não perdeu o semblante triste, ter antes sido 'ninguém' e, não fosse o abraço da hipocrisia, ter podido sê-lo sempre. Prefiro imaginá-lo assim, inteligente.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:33886Tiago Moreira Ramalho2013-07-23T12:17:39Embarrassing2013-07-23T11:30:58Z2013-07-23T11:30:58Z<p><img style="border: 0px none; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5513a7d7/15263163_3sdtD.jpeg" alt="" width="400" height="300" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: small;">Martin Amis visivelmente confuso com o estado do mundo.</span></p>
<p> </p>
<p>Excerto da <a href="http://ht.ly/ncaDC" rel="noopener">entrevista que Martin Amis deu à Los Angeles Review of Books</a>:</p>
<p><span><br /></span></p>
<p><span>«Jane Graham: Talking of the democratization of culture, what do you think of Pippa Middleton becoming a contributing editor for Vanity Fair?</span><br /><span>Martin Amis: Pippa Middleton…</span><br /><span>Jane Graham: It’s Kate Middleton’s sister — Princess Kate.</span><br /><span>Martin Amis: She’s going to do a column? That is shocking.»</span><br /><br /><br />Excerto de um <a href="http://www.vanityfair.com/society/2013/07/pippa-middleton-photos-wimbledon-tennis/wimbledon-whoops" rel="noopener">texto de Pippa Middleton na Vanity Fair</a>:<br /><br /><span>«I was at Wimbledon with my dad watching Tim Henman and Pete Sampras play. We were sitting quite close to the players’ court entrance. When Tim Henman walked onto the court, the crowd cheered him, and as he neared our seats my dad mistakenly yelled, “Come on, Pete!” </span></p>
<p><span>That was embarrassing.»</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:33565Tiago Moreira Ramalho2013-07-22T15:36:43Dans la Maison2013-07-22T14:37:25Z2013-07-22T14:37:25Z<p><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2a01b273/15259522_hHQky.jpeg" alt="" width="400" height="268" /></p>
<p> </p>
<p>Vi o <em>trailer</em> depois de terminar <em>Camille Claudel, 1915</em>. Saí da sala do Monumental e parei (poderia dizer que estaquei, mas preferi não o fazer) no meio do corredor espreitando para dentro da sala do lado oposto (a senhora cujo mister é rasgar os bilhetes de quem entra pareceu-me um pouco confusa com o comportamento, ou talvez com a posição, dado que eu estava desnecessariamente debruçado). Um miúdo; um professor de literatura que o apadrinha; ares de <em>thriller</em>; tudo em francês. Coisa suficiente para me levar a ver o filme.</p>
<p>No início do ano lectivo, no Liceu Gustave Flaubert, Claude surpreende o professor com um ensaio (<em>à suivre</em>) sobre o que fez durante o fim-de-semana. Na composição, os seus 16 anos deixam cair sobre a família do colega Rapha uma análise tão clínica quanto cínica que culmina na soberba descrição da ociosa mãe como tendo o «característico cheiro das mulheres da classe média». O professor, intrigado pela possibilidade de um «dom», passa a dar aulas particulares ao rapaz, apresentando-lhe a grande literatura e revendo-lhe os textos que continuam a versar sobre a mesma «temática». Facilmente se opera um saltinho destas inocências para um emaranhado de voyeurismo que leva a família dos Rapha todas as noites para a cama de Germain, o professor de Francês, onde tudo é discutido com a esposa nos intervalos dos seus lamentos sobre a galeria de arte que não vinga e as patroas que não percebem nada do assunto. Conhecemos Rapha filho, colega de Claude, e personagem inapelavelmente desinteressante, apesar dos apelos do professor Germain para que se lhe dê mais relevância, recebida apenas quando, saindo do folhetim, aplica uma exemplar sova a Claude; conhecemos Rapha pai, um bronco feito de lugares-comuns, que chora recorrentemente por causa do chinês que lhe inferniza a vida, e provavelmente também com o cheiro característico dos homens da classe média, ainda que nada nos seja dito nesse sentido; e conhecemos Esther (<em>Esther… Esther…</em>), uma dona-de-casa cujo drama existencial é a inadequação da cor dos cortinados e que acaba sendo cobiçada pela visita adolescente. Claude mantém frouxas as fronteiras entre a sua imaginação e o real; nunca sabemos o que realmente se passa. Nem nós, nem Germain, que se abeira do desespero. No fim, indo contra os desejos do seu mestre, que lhe pede que continue, que a história tenha um fim, Claude pára de escrever. Procura, no entanto, no decorrer de um possível mal-entendido, um «fim para o seu professor». O professor, apropriadamente, e depois de alguns solavancos narrativos, cai em desgraça, com direito a barba por fazer, banco de jardim, e tudo.</p>
<p>Ozon realizou uma espécie de ensaio sobre a frustração, decentemente regado por algum humor e uma história de <em>suspense</em> (<em>Que va-t-il se passer?</em>). Há o homem frustrado com o seu trabalho; há a mulher frustrada com a sua falta de trabalho; há a outra mulher frustrada com as patroas ignaras; e há, acima de todas estas, a frustração de um professor de Francês cuja carreira literária nunca se concretizou. Só por causa desta última, ainda que todas as outras sejam bons combustíveis, é que pode surgir Claude Garcia, que poderemos descrever como um competente representante do Mal aspergido de aromas de Rimbaud. No fundo, tudo decorre de ter um dia o professor percebido que tomado todo não valia uma página das que admirava. Coisa que pode plausivelmente calhar a qualquer um de nós.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:33333Tiago Moreira Ramalho2013-07-19T15:24:16 Sá da Costa2013-07-19T14:30:07Z2013-07-19T14:30:07Z<p>Sobre a livraria Sá da Costa e sobre os lamentos generalizados, dos quais partilho, apesar de não gostar especialmente da livraria em causa (desgostou-me mais o encerramento da novíssima e brevíssima Trama, para ser honesto; valorizo, contudo, a importância de uma livraria, ainda para mais com cem anos), diria que um pouco de iniciativa não seria mal-pensada. Entre os desolados clientes, poderia perfeitamente criar-se uma posse partilhada, de quotas, ou acções, ou o diabo, para que a coisa se aguentasse de pé. Com alguma inteligência, nomeava-se para gestor um tipo que perceba de livros e, pelo caminho, perceba de contas. No fim, era como pertencer a um clube privado, a que os fãs já pertencem, para o qual se pagariam quotas. Isso seria levar todo o lamento, frustração e manifestação pública às naturais consequências. É que lamentar tudo isto enquanto se compram livros na Fnac escapa pouco à tontice.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:33079Tiago Moreira Ramalho2013-07-15T15:45:48O crítico sou eu2013-07-15T14:38:49Z2013-07-16T08:39:16Z<p><img style="border: 0px none; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B81131d01/15231321_tTNED.jpeg" alt="" width="266" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: small; color: #000000;">Dan Brown com a mão na anca.</span></p>
<p> </p>
<p>O renomado autor Dan Brown voltou a publicar um livro. O título é «Inferno» e já tem tradução em português, simpatia da Bertrand. Como é natural, por ser a repetição de uma ideia já compreendida por toda a gente, ainda que com umas diferenças de entoação e de gramática, uma forma assaz eficaz de sobreviver nos meandros da «crítica», amontoam-se os artigos a explicar, com mais ou menos cuidado, que Dan Brown é, infelizmente para o mundo, um péssimo escritor. A proliferação desta espécie de missa machuca a mente das gentes que não querem saber do Dan Brown para coisa nenhuma, mas que apreciariam a possibilidade de ler ocasionalmente uma boa crítica literária.</p>
<p>O mecanismo segundo o qual se criticam os livros de Dan Brown é comum àquele segundo o qual se criticam a maioria dos autores do género «mau». Pretende o excelente leitor que eu clarifique? Vamos lá a isso. Começamos por fazer alguns considerandos sobre a fama e a quantidade de livros que Dan Brown vende, confessando o nosso espanto por não ter o resto do mundo o bom gosto que nós mesmos temos no respeitante à boa arte literária. Maldizemos a condição humana e o mercado, que é consequência dela, por não vedarem a esta gente o acesso aos escaparates. No fim do lamento muito pertinente, porque é sempre necessário que discutamos a cultura nas plataformas de debate e exposição pública de ideias, começamos a nossa análise do livro. Nessa análise explicamos que Dan Brown tem uma má relação com a gramática, além de ter uma leve propensão para a repetição excessiva da mesma palavra ao longo das páginas. Seguimos para um ataque cerrado às figuras de estilo que, apesar de não dominar, o autor se esforça por martelar dentro do texto. Sinalizamos ainda, porque é o nosso dever fazê-lo, a inverosimilhança de pontuais peripécias e diálogos, pois é sempre necessário lembrar que não é concebível que um tipo comece a falar sobre irmandades secretas enquanto se esforça para descer por uma corda de um prédio em chamas. Se tivermos algum espaço livre ainda, podemos falar sobre o quão conveniente é a existência de uma história de amor tipificada, com uma mulher muito bonita no papel de ajudante do soberbo Robert Langdon, da invulgar forma física de um académico de meia-idade, ou da circularidade das personagens que têm uma fatal «falta de relevo».</p>
<p>Se a repetição simples de ideias feitas não fosse, já de si, coisa bastante (a menos que o crítico esteja, no fundo, a ensaiar uma mastodôntica figura de estilo, apoucando a simplicidade do livro através de uma crítica de uma simplicidade aparente, mas de elevada minúcia; convém, contudo, explicar cuidadosamente ao leitor que esta possibilidade é tão concebível quanto a ideia de Robert Langdon entabular uma boa conversa sobre irmandades secretas enquanto tenta descer por uma corda de um prédio em chamas), torna-se o espectáculo ainda mais infeliz quando a essa repetição se oferecem palcos privilegiados. A verdade é que este tipo de tralha jornalística é popular e os editores, apesar das vilezas da condição humana e do mercado, que é consequência dela, optam por lhes dedicar longas páginas. Foi o caso, por exemplo, do «Atual» desta semana, que permitiu que Clara Ferreira Alves expusesse com particular proluxidade os seus dizeres sobre o fenómeno danbrowniano. Peguemos neste caso particular para, em cima dele, teorizarmos sobre esta merda toda. (Tal como revelei um pouco mais acima, a temática em causa não me interessa, pelo que não li o artigo de CFA. Não faz mal.)</p>
<p> </p>
<p><img style="border: 0px none; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4c145e74/15231323_okQAY.jpeg" alt="" width="286" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: small;">Clara Ferreira Alves apanhada de surpresa.</span></p>
<p> </p>
<p>Quando foi a última vez que o «Atual» dedicou uma análise literária séria, de quatro páginas, a um grande escritor, esteja ele vivo ou morto? Não conto aqui com as entrevistas mais ou menos publicitárias e das «descobertas», mas falo de artigos de fundo sobre uma obra que mereça estar numa estante. As críticas literárias do Expresso, por regra, ocupam no máximo uma página, folgadamente partilhada com uma grande fotografia, para parecer mais bonito. Despacha-se, por exemplo, uma tradução de Nabokov (uma das muitas que a Relógio d’Água tem estado a publicar) numa tirinha de papel que, dada a parca largura, é insuficiente para uma apropriada limpeza do cu. Homero, Shakespeare, Tolstói, Brontë e até Pessoa são amontoados em comentários de contra-capa, tantas vezes com erros, em selecções que fazem as vezes de lista de supermercado do literato empenhado. Como não poderia deixar de ser, sobre eles despeja-se um conjunto de lugares-comuns que, por oposição às críticas a Dan Brown, lembram a profundidade das personagens, a mundividência que transborda, as verdades reveladas (para mais, remeto o bom leitor para um artigo de Rogério Casanova intitulado «Um dos Maiores et Cetera da Actualidade».) Excepcionalmente, Eça recebeu umas quantas páginas na semana passada, mas além da inevitável bonecada, foi tudo ocupado com entrevistas curtas aos bravos (entre os quais se conta precisamente Clara Ferreira Alves) investidos da nobre tarefa de prolongar a obra, com brincadeiras mais ou menos inspiradas e nenhum tratamento minimamente interessante da obra.</p>
<p>Entendamo-nos: todos, ou quase todos, os jornais literários fazem artigos jocosos sobre autores que se tornaram, pela fama, bobos da classe. Mal publicou o livro, Dan Brown foi gozado no Guardian, no Telegraph e em muitos outros lugares. Mas nenhum bom jornal ou suplemento literário pode dar-se ao luxo de dar mais importância a um jogral das letras que à boa literatura. Trate-se dos «Infernos» e da restante parafernália que o género publica na meia-dúzia de linhas que merecem e dêem-se as quatro páginas a um texto que valha o tempo despendido. De preferência, escolha-se, dentro do orçamento, um crítico que perceba alguma coisa do assunto.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:32941Tiago Moreira Ramalho2013-07-14T20:44:23Sob vários pontos de vista2013-07-14T19:44:51Z2013-07-14T19:44:51Z<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/gEV5p-wGKzw" width="425" height="344" frameborder="0"></iframe></div>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:32528Rui Passos Rocha2013-07-14T15:24:34Considerações sobre Coina2013-07-14T14:27:59Z2013-07-14T17:51:11Z<div class="saportecontainer saportepreserve" style="text-align: center;"><span class="saportelink"><img style="border: 0 none;" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o1e13cc66/15227506_awKDF.jpeg" alt="" width="600" height="410" /></span></div>
<p><br /><br />Foi um sketch de Herman José que me deu a conhecer Coina, mas só lá fui ontem pela primeira vez. Em verdade vos digo, porém, que não vale o esforço nem o tempo investido. Em torno da rotunda que assinala o centro de Coina há somente vivendas e prédios decadentes, o "talho da Michelle" para se lhe comprar as carnes, uma placa na rua que diz "proibida a venda ambulante", não vá a Michelle fazer-se à estrada, outra placa com o primeiro princípio da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a reforçar a anterior, uns quantos bancos públicos - e por aí ficamos. Fiz eu 40 minutos de comboio e outros 30 a pé para não mais nem menos do que testemunhar a decadência de Coina. Até quem assentou arraiais em Coina prefere os arredores, onde há um McDonald's, um Jumbo, um Aki, uma Decathlon e outras javardices que Coina, por si só, já não proporciona. Mesmo os fuzileiros do nosso exército, que por ali perto treinam, preferem a Mata da Machada a Coina (não estou a insinuar nada, atenção). Arrsco mesmo dizer que Paulo Portas não trocaria as Necessidades pela Travessa Sacadura Cabral de Coina (nem aqui). Não o censuro. Depois de ontem estou como Santo Agostinho: não quero mais Coina.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:32329Frederico V Gama2013-07-11T12:43:16As barbas da Carris: ora aqui está um assunto que vale a pena estudar com profundidade, atenção e sentido de Estado2013-07-11T11:55:00Z2013-07-11T14:33:25Z<p><img style="border: 0 none;" src="http://www.naoegrandepistola.com/wp-content/uploads/2013/03/TER-BARBA-FAZ-BEM-%C3%80-SA%C3%9ADE.jpg" alt="" width="415" height="317" /></p>
<p><span style="font-size: x-small;">Funcionário da Carris vítima da Administração e do Ministério da Economia</span></p>
<p> </p>
<p><a href="http://economico.sapo.pt/noticias/trabalhadores-da-carris-querem-12-por-mes-para-cortar-cabelo_173216.html" rel="noopener">Esta é uma notícia e pêras</a> (salvo seja). Não sei se os estimados leitores sabem, mas “<span>a empresa (a Carris) dispõe nas suas instalações de barbearias apetrechadas para uso exclusivo e privativo dos seus trabalhadores, incluindo reformados”. Eu não sabia. </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:32104Bruno Vieira Amaral2013-07-10T00:52:52Onda de calor2013-07-09T23:53:15Z2013-07-10T11:16:05Z<p>Era isto? Fraquinha.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:atentadoaopudor:31762Frederico V Gama2013-07-09T15:13:05Novo governo, novo programa2013-07-09T14:16:32Z2013-07-09T14:16:32Z<p>A. J. Seguro, como de costume, não entende nada do que diz e, felizmente para ele, raras vezes diz coisas que se entendam. Agora menciona a necessidade de <a href="http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/seguro-diz-que-novo-programa-exige-novo-governo" rel="noopener">um novo governo para um «novo programa cautelar»</a> de apoio a Portugal; Seguro nem as coisas óbvias aproveita — por exemplo, se há um novo governo (e trata-se, de facto, de um novo governo), é preciso um novo programa de governo. Mas ele não é homem para se perder com detalhes. </p>