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Desenrascate

por Tiago Moreira Ramalho, em 31.05.13


Marché unique, monnaie unique, langue unique ? Les portes et les ponts illustrant les billets européens incarnent déjà la fluidité des échanges entre des commerçants sans ancrage et sans histoire. Faut-il également que les étudiants puissent quitter leur pays sans dictionnaire ? Avec pour seul passeport linguistique un anglais d’aéroport. Utilisable partout, en particulier dans les universités françaises.

Car il paraît que celles-ci restent encore trop « décalées » — comme le reste du pays. Imaginez, on y parle toujours… français ! Mme Geneviève Fioraso, ministre de l’enseignement supérieur et de la recherche, veut supprimer cet « obstacle du langage ».

(...)

« Si nous n’autorisons pas les cours en anglais, nous nous retrouverons à cinq à discuter de Proust autour d’une table », a néanmoins ironisé Mme Fioraso. M. Nicolas Sarkozy préférait afficher son dédain envers les humanités en plaignant les étudiants condamnés à lire La Princesse de Clèves au lieu de faire du droit ou du business.

(...)

La France, qui s’est battue pour défendre son cinéma et son exception culturelle, peut-elle accepter qu’un jour la recherche et la science s’expriment uniquement dans l’idiome, d’ailleurs souvent maltraité, de la superpuissance ?

(...)


Cheguei distraidamente a este artigo de Serge Halimi no Le Monde Diplomatique. Começam os franceses a alvoroçarem-se por verem as suas universidades vergadas às inolvidáveis necessidades do mundo globalizado, o que por vezes se julga sinónimo de homogeneizado, numa clara recusa desse corolário disto de sermos o que somos – o da obrigatória diversidade. A lei francesa obrigava a que o ensino superior fosse proporcionado apenas em francês. Claro que o mundo é cão e obrigar a que o sistema funcione na língua nacional, à parte de quando ele é anglófono, pode trazer complicações. O francês, como dizia a rapariga no outro dia, está a morrer e, como causa e consequência disso, a juventude já não o aprende. Nem a juventude nem ninguém, pelo que a dificuldade gaulesa não é só a de captar alunos, mas será também a de arranjar professores que leccionem num francês inteligível para os soberbos estudantes das Grandes Écoles.
Por cá, tudo é mais simples. O português defende-se com unhas e dentes espatifando-o num emaranhado de novas regras que não lembram ao Diabo (nem à Dilma). Não nos aflige, por isso, que a preparação escolar obrigatória consinta que dela saiamos sem que da gramática tenhamos grandes certezas (incluo-me aqui, porque falo essencialmente da minha geração), que não conheçamos um grama do que de melhor se produziu por cá (recentemente, com a morte de Óscar Lopes, soube que antigamente a História da Literatura Portuguesa era usada nas escolas; com a morte de Óscar Lopes tomei também conhecimento da existência da História da Literatura Portuguesa que era usada nas escolas; com o meu almoço de ontem aqui com o Rui fui fortemente compelido a comprar uma edição da História da Literatura Portuguesa que era usada nas escolas, por 8 euros, na banca do Arquimedes, a melhor ali da Feira do Livro – confirmai). A falta de certezas gerada não se colmata, porque chegadinhos à bela vida universitária somos presenteados com um conjunto de excelsos Doutores que peroram num inglês que confrange qualquer um, tudo a bem da «empregabilidade» e da «competitividade» dos «jovens portugueses», que podem bem não perceber um caralho do que lhes ensinam, mas têm lá no Curriculum Vitae que têm fluência (se ao menos...) na boa língua estrangeira. Tudo porque somos virados para o futuro e assim.
Tudo somado, a maior parte de nós, com ou sem Acordo, já não percebe um quadril disto. We speak very well English e pronto, tudo o resto virá por decorrência natural do exercício da língua, componente nestes dias especialmente trabalhadora. Resta esperar que nos não imitem na decadência. Pelo menos que nos não imite a França, que ainda não é um país qualquer. Façam aulas para estudantes estrangeiros, tenham departamentos de Erasmus, permitam-se a excepção para um professor americano muito, muito bom (são sempre), para que as classificações subam. Mais do que isso, é delírio de classe política ignorante. Antes lessem aquilo que publicamente tanto desprezam.

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publicado às 15:41


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