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Oui

por Tiago Moreira Ramalho, em 23.04.13

O parlamento francês aprovou a coisa.

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publicado às 16:37


Blasfémias

por Rui Passos Rocha, em 23.04.13
Um cartaz em que o Bloco de Esquerda exige que "cortem na dívida, não nos salários", reanimou por instantes a Helena Matos dentro de mim, que eu julgava recalcada para a bílis. Afinal ainda tenho um lado taxista, sempre pronto a malhar na esquerda. Por qualquer motivo a minha Helena julgou que o Bloco aceitara cortes mas julgara que eles seriam possíveis sem mexer nos salários. Soltei um "expliquem-me lá como se faz isso". Ninguém se queixou do cheiro, aposto que por delicadeza. Porque o que os bicéfalos exigem é um perdão da dívida, talvez até um "perdão" unilateral em caso extremo. E eu consigo ser uma besta.

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publicado às 15:58


E ao terceiro dia

por Frederico V Gama, em 23.04.13

O Bruno VA está fora de jogo, vigiado pelos médicos, internado num hospital – mas deve sair amanhã rumo ao lar, porque é um homem bom, resistente e fortalhaço (não acreditem). Seguimos-te a paripassu, ó BVA! Mas despacha isso porque estamos a precisar de um novo post, dos teus.

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publicado às 15:55


E o aio Egas Moniz?

por Rui Passos Rocha, em 22.04.13
Se há coisa para que a crise tem servido é a investigação científica, particularmente a detecção das causas do nosso atraso (relativo, não me matem já). Por mais que os líricos do costume, munidos de estatísticas e outras tretas, nos venham falando do crónico atraso industrial, da só recente escolarização em massa, da curta burguesia que nunca desabrochou, da balança comercial sempre deficitária em democracia (até 2012, um ano do caraças) e do Estado Social garantista, essas minudências nada podem contra o legado do salazarismo - aprendi com Fernando Rosas e outros -, que nos tornou apolíticos (suponho que face ao helénico entusiasmo democrático do início do século XX), o fado e a saudade (sempre surgem, à falta de saliva). Lendo o Ípsilon da semana passada descobri outra causa: a Inquisição dos séculos XV a XVIII, que segundo duas pessoas que talvez a tenham estudado e incorporado demasiado, está por detrás do suposto silêncio oprimido das gentes portuguesas do século XXI. Estou sempre a aprender.

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publicado às 19:05


Bichas histéricas

por Tiago Moreira Ramalho, em 22.04.13

Os franceses estão, de um modo geral, arreliados. Há o presidente tosquinho, há o desemprego, há a comum chatice dos dias e, em cima de tudo isso, floreia colorida a questão gay. Esta semana vai ser votada a proposta que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e as ruas de Paris andam movimentadíssimas. Têm vindo passear, logo aos milhões (palavra: as organizações dos respectivos movimentos falam em mais de um milhão de participantes em cada manifestação), uns a favor, outros contra, numa rebaldaria. Ontem, dia do descanso familiar, vieram de novo, em números mais modestos (parece que faltaram as carreiras a ir buscar gente ao Plomb du Cantal e arredores). A França, dizem todos, está com uma crise de valores. Fala-se mesmo em infanticídio em massa («Vous êtes en train de assassiner des enfants», alertou, visivelmente transtornado, o senhor Philippe Cochet, da UMP). Tudo, no fundo, muito triste, mas expectável. Ainda que não sejam considerados pináculos de masculinidade (pelo menos os homens), os franceses sempre foram caninos na defesa da saúde das suas fêmeas. Mesmo os movimentos de esquerda mantiveram considerável «desconfiança» (chamemos-lhe assim) face às frentes revolucionárias dos pédés. A Manière de Voir, numa edição de 2011 sobre revoluções (de toda a espécie), relata mesmo um episódio curioso. O Partido Comunista Francês, na sua posição oficial, dizia, em 1972, que «la couverture de l’homossexualité ou de la drogue n’a jamais rien eu à voir avec le mouvement ouvrier». Misturar homossexualidade e drogas era, acredite-se, o lado brando do PCF. Um antigo candidato presidencial do partido, Jacques Duclos, chegou mesmo, quando questionado por um activista sobre a existência de revisões à posição oficial, a responder algo como: «Comment vous, pédérastes, avez-vous le culot de venir nous poser des questions? Allez-vous faire soigner. Les femmes françaises sont saines; le PCF est sain; les hommes sont faits pour aimer les femmes.» Ignoro se o activista, depois de tão incisiva lição sobre os factos da vida, deixou de dormir com homens. Era essa a vontade do sr. Duclos. Tal como será, muito provavelmente, a vontade do sr. Cochet – o equivalente, nas alas mais à direita do parlamento francês, a uma bicha histérica. Deles e de muitos outros: em Lille e em Bordéus já houve ataques armados a bares gays (sim, porque isto não tem – nunca tem – nada que ver como homofobia; a gente só tem mesmo muito rigor semântico no respeitante ao casamento). No fim, resta esperar que o parlamento francês tenha «le culot» de, amanhã, fazer o que está certo.

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publicado às 11:50


Não és tu, é a regressão

por Rui Passos Rocha, em 22.04.13

Lamento desiludir quem ainda acredita que o Ministro das Finanças é um ser senciente, mas estou em posse de uma carta que ele escreveu a uma ex-namorada explicando o fim da relação. Isto é do mais poético-friedmaniano que tenho lido - e eu leio o Insurgente. Estou a mentir, não leio o Insurgente. Ah, e também não é verdade que o texto seja de Vítor Gaspar. Mas a boa ficção é a verosímil, não é?


"Please know that this decision was not rash. In fact, it was anything but—it was completely devoid of emotion. I just made a series of quantitative calculations, culled from available OECD data on comparable families and conservative estimates of future likelihoods. I then assigned weights to various “feelings” based on importance, as judged by the relevant scholarly literature. From this, it was easy to determine that given all of the options available, the winning decision on both cost-effectiveness and comparative-effectiveness grounds was to see other people. It’s not you, it’s me. Well, it’s not me either: it’s just common sense, given the nature of my utility function."

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publicado às 10:30


Sofisticação

por Frederico V Gama, em 21.04.13

O roubo anda cada vez mais sofisticado. Ainda agora nos roubaram três penalties e ninguém viu onde o árbitro os escondeu, à vista de toda a gente...

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publicado às 23:08


Boston

por Frederico V Gama, em 20.04.13
Vi agora na SICN que há um português em Boston que conhecia os dois terroristas. Pois bem, e que faz o senhor? Nada mais do que gestor da casa do Benfica em Boston.
Deviam investigar bem essas ramificações.

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publicado às 19:31


Do mal o menos

por Bruno Vieira Amaral, em 20.04.13

A América foi sempre um terreno fértil e abençoado para os falsos profetas e criadores de toda a sorte de seitas e proto-religiões. Em 1823, um jovem oriundo do Vermont recebeu uma visita celestial, um anjo com nome de médio-centro italo-aparvalhado, Moroni, que lhe disse onde podia encontrar umas placas de ouro com inscrições religiosas. A tradução do texto dessas placas ficaria conhecida como O Livro de Mórmon, que se viria a tornar a base sagrada da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A fascinante biografia que Fawn McKay Brodie (1915-1981) escreveu sobre o fundador do mormonismo, No Man Knows My History: The Life of Joseph Smith, mostra um rapaz simplesmente à procura de uma vida confortável e que, pelo meio, tropeçou no destino de líder religioso. A autora, ela própria uma ex-mórmon, abandonou a religião quando foi estudar literatura para a Universidade de Chicago. Curioso é o facto de Fawn alegar que O Livro de Mórmon (publicado pela primeira vez em 1830) era baseado numa obra anterior de Ethan Smith (cuidado com os Smith!), intitulada View of the Hebrews, em que o autor defendia que os americanos nativos (aquela rapaziada que nos filmes de cóbois ficava sempre em último até que se começaram a fazer westerns com disfunção eréctil cujo exemplo acabado é aquele filme do Kevin Costner, que por sua vez inspirou um outro filme com o Tom Cruise em que os índios eram agressivamente substituídos por japoneses apostados em derrotar com espadas inimigos que, cobarde e tecnologicamente, preferiam usar espingardas e canhões. Os americanos nativos foram empurrados para as reservas, como antílopes ou ratos almiscarados, e a explorar casinos, como Stanley Hos das pradarias; a propósito da exploração de casinos pelos americanos nativos sugiro o visionamento do filme com Dwayne “The Rock” Johnson em que etc, etc, etc) descendiam das Dez Tribos Perdidas de Israel, uma teoria muito popular no século XIX – cf. na Wikipedia – mas à qual já ninguém liga nenhuma.

 

                       

Joseph Smith a segurar um catálogo La Redoute

 

 

Joseph Smith, numa fotografia recente

 

 

Fotografia extraordinariamente bonita

 

Ignoremos Charles T. Russell (1852-1916), fundador dos Estudantes da Bíblia, grupo que em 1931 se rebaptizou com o mais profético Testemunhas de Jeová (uma operação de naming pela qual o Todo-Poderoso pagou mais de 2 dólares na altura, o equivalente nos nossos dias a 150.000.000 de euros), e L. Ron Hubbard (1911-1986), escritor de ficção científica e o pai da Cientologia. Seria uma demonstração desnecessária do nosso conhecimento enciclopédico e os leitores poderão, com igual proveito, clicar nos links e aprender alguma coisa.

 

Falemos então de James Warren Jones, a.k.a Jim Jones, nascido a 13 de Maio (primeira coincidência) de 1931, líder e mentor da seita Templo dos Povos. Vejam lá que diziam que Jim Jones tinha ascendência cherokee (segunda coincidência), um indício que isto afinal está tudo ligado aos americanos nativos (em 1954, Jim e a mulher adoptaram uma menina de 11 anos, de ascendência índia, que é para não pensarem que isto são só teorias da conspiração). As origens índias de Jones nunca foram comprovadas, mas não faz mal. Bem, em Novembro de 1978, a comunidade denominada de Jonestown, na Guiana, onde viviam mais de 900 membros da seita de Jones, foi visitada pelo congressista norte-americano Leo Ryan e por jornalistas da NBC para averiguarem as condições em que viviam os seguidores do culto. Havia acusações de torturas psicológicas e de pessoas mantidas no local contra vontade. As primeiras impressões do congressista Ryan foram excelentes. Um dia depois estava morto, baleado pela guarda pessoal de Jones. A morte do congressista e de três jornalistas precipitou a tragédia. 918 dos membros da seita suicidaram-se, incluindo mais de 270 crianças (ingeriram um cocktail de potássio, cianeto e sedativos). Jim Jones morreu com um tiro na cabeça. Entre as várias explicações para o sucedido, falou-se da benevolência da comunicação social para com a seita de Jones por causa do seu carácter socialista. Jonestown era, de certa forma, a concretização do velho sonho do socialismo utópico de uma sociedade igualitária e auto-suficiente. Eram todos malucos, é verdade, mas quem nunca sonhou em viver num mundo justo, em que todos trabalham em prol do bem comum e o líder pode abusar sexualmente de qualquer mulher à sua escolha, que levante o braço. Jones tinha beneficiava da simpatia dos grupos liberais e progressistas de São Francisco, incluindo do mayor Moscone e do rabeta do Harvey Milk (aquele que obrigou o Sean Penn a fazer porcarias com o James Franco). Vários dos seguidores da seita legaram os bens à URSS, o que se calhar contribuiu mais para a derrocada do comunismo do que a acção conjunto de Wojtyla, Reagan e Thatcher.

 

Uma tragédia de contornos semelhantes à de Jonestown ocorreu a 19 de Abril de 1993 (cumpriram-se ontem 20 anos), na localidade de Waco, Texas. Após uma intervenção do FBI, os seguidores do culto liderado por David Koresh atearam fogo (informação controversa) ao templo onde estavam refugiados. No final, foram contabilizadas 76 vítimas entre os fiéis do movimento.

 

Vernon Wayne Howell (1959-1993) nasceu em Houston, filho de Bonnie Sue Clark, uma rapariga de 14 anos, que antes do nascimento de Vernon foi abandonada pelo namorado (e pai da criança). Howell era um bocadinho para o atrasado e consta que aos 8 anos terá sido violado por um grupo de rapazes mais velhos. Já na adolescência, e tal como Jim Jones, Howell terá frequentado a Igreja Adventista do Sétimo Dia. No entanto, nesta história não há lugar a americanos nativos pelo que, para compensar, publicamos a foto de Sacheen Littlefeather, a rapariga índia que Marlon Brando, recusando receber o Óscar pelo seu desempenho em O Padrinho (O Poderoso Chefão, no Brasil) incumbiu de discursar na cerimónia de entrega dos Oscares, em 1973.

 

 

Sacheen observada por um homem-estátua em tronco nu

 

Mas Sacheen não se chamava Sacheen e as suas origens índias foram postas em causa. O seu verdadeiro nome era (e é) Marie Louise Cruz e por muito que ela diga que Cruz é o nome oficial da tribo do seu pai, só podemos acreditar nela se entretanto o estatuto dos gangs hispânicos já tiver sido equiparado ao das tribos de americanos nativos, o que os habilitaria a concorrer com os seus rivais italianos em condições mais vantajosas na exploração de casinos.

 

Regressando à história de Vernon Howell, aproveitamos a ocasião para dizer apenas que em 1990 o rapaz alterou o nome para David Koresh (Kurosh é o equivalente em persa moderno a Ciro, o rei persa que permitiu o regresso dos judeus a casa – e aqui seria uma exelente ocasião para relacionar Howell com as 10 tribos perdidas de Israel, Joseph Smith e os índios, mas falta-me a paciência), depois de Nabucodonosor não ter sido tão simpático. O resto da história é muito interessante e os mais analfabetos de entre vós poderão encomendar este magnífico DVD, em que David Koresh é representado pelo actor Tim Daly, cunhado de Mark Snow, autor da música dos Ficheiros Secretos. Como podem ver, Daly é um rapaz muito bem parecido.

 

Tim Daly!

 

 

Sandálias Jimmy Choo, modelo Kalan, 895€, “For a strong yet feminine fashion statement choose Kalan, produced in rich suede with luxurious perforated detailing. Heel height measures 135mm/5.3'”

 

 

Caros amigos, por hoje é tudo. Espero que a minha cultura geral vos tenha deixado a todos com uma estupenda erecção (no caso dos senhores) ou com um sorriso levemente libidinoso (no caso dos eurodeputados).

 

Alcibíades Mossoró da Conceição

(nosso enviado especial na Wikipédia, Doutorado em Pesquisa de Imagens no Google pela Universidade Jorge Burruchaga, Cancún)

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publicado às 18:00


Down and out em Lisboa

por Rui Passos Rocha, em 19.04.13
Felizmente para quem governa, é cada vez mais difícil distinguir um esquizofrénico não tratado de alguém que simplesmente fala ao telemóvel. A Lisboa que eu conhecia antes da invasão dos auriculares era uma cidade soberana e gritantemente doente, onde eu podia regozijar-me com os meus sentimentos igualitários face a sem-abrigo abstractos. Os concretos continuam por aí, inconscientes dos meus actos caridosos imaginários, mas eu continuo a preferir entreter-me com a imagem que me faço deles. E essa imagem vai-se reconfigurando: ora vejo colarinhos brancos de barba rala que gritam para executivos inexistentes, ora vejo ensacados que discutem auditorias da KPMG com as suas orelhas mãos-livres enquanto se arrastam para a sopa diária. Um dia destes começarei a falar do meu tempo...

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publicado às 23:12






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