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25 de Abril nem sempre

por Rui Passos Rocha, em 24.04.13

 

Custa mais acreditar agora, mas podia tudo ser bem pior. Podia Marcello Caetano, pressionado de fora, ter tido que convocar um plebiscito para se legitimar. Seria uma maçada, ter de dar a cara e tentar convencer o povo. Podia a oposição, dos marxistas aos sociais-democratas aos da ala liberal aos democratas cristãos (os convictos e os do táxi), ter tido direito a um igual tempo de antena na televisão. Todos juntos, pelo 'não' ao Estado Novo. Podia essa mesma oposição, perseguida, torturada e mutilada durante anos, ter sentido necessidade de conquistar votos com uma mensagem positiva, de futuro, em vez de lembrar a brutalidade do regime. Medo (dos crimes políticos) por medo (de um ajuste de contas), ganharia a abstenção, ou seja, a Situação. Mas podia a mensagem alegre do 'não' ter conquistado o povo, ainda que por uma curta margem, e derrubado o Estado Novo. E podia Marcello ter passado o testemunho numa cerimónia pública em que afirmaria as suas credenciais democráticas. E podiam os líderes do "novo" regime tê-lo deixado, pacificamente, em Portugal, inicialmente ainda no palco, depois nos bastidores. Com tudo isto, podia o "novo" regime ter mantido dirigentes e militares da ditadura nos seus anteriores lugares, ninguém sendo julgado, nem sequer criticado pelos governantes e principais opositores, muito menos exilado do país. Podia o cheiro a mofo ser bem mais intenso. Mas felizmente não nos aconteceu como no Chile anos mais tarde. Amanhã serão 25.

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publicado às 12:22






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