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Um rogoboff

por Tiago Moreira Ramalho, em 19.04.13

Três estudantes norte-americanos (gente esforçada e certamente de grandes expectativas) lembraram-se de pegar com algum cuidado num artigo famoso de Rogoff e Reinhart, a dupla maravilha do «This Time Is Different». Resultado: encontraram um erro. A estória conta que o autor da descoberta, Thomas Herndon, estava com a respectiva cachopa lá em casa e até a chamou, não fosse aquilo ser obra de génios maldosos. Ela disse que sim, que sim, que havia para ali patranha. E havia. O moço, juntamente com os amigos, publicou a cabal denúncia da mentira. A grande academia entrou em reboliço. Os inevitáveis corrimentos chegaram rápido à opinião pública e os bodes expiatórios da nossa miséria ganharam, finalmente, carne e osso. Pelo meio, esquecemos que a ciência, seja ela qual for, está sujeita, também, à possibilidade do erro grosseiro; esquecemos que na semana em que Rogoff e Reinhart publicaram o seu paper, milhares de intervenções públicas defendiam o preciso oposto; e esquecemos que se é certo que o paper defendia certa política, não foram os seus autores a implementá-la. Mais que tudo, fingimos que o paper precedeu a decisão e não foi, como sempre é, mero instrumento, mais ou menos sofisticado, usado como justificação possível de uma vontade estabelecida. A mudança de paradigma não se deveu a uma revolução científica. A ter havido revolução, foi política. O resto é linguagem e fumo.

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publicado às 15:13


2 comentários

De PR a 19.04.2013 às 18:38

Rogoboff foi o que vocês me fizeram. Usaram-me como a uma boneca. E depois deixaram-me no wc a apodrecer. Na parede da casa de banho. :'(

Bem-vindos =)

De Tiago Moreira Ramalho a 20.04.2013 às 21:41

Oh, Cila, não nos castigues desse jeito :)
Venham daí as polémicas.
Um beijinho.

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