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O autarca que engolia papel

por Rui Passos Rocha, em 21.06.13

 

Aqui o vemos, cheio de pica


Por esta altura já o caro leitor sabe, porque lê boa imprensa, nomeadamente o Morning Post português, que o vice-presidente da Câmara de Portimão tirou um papel das mãos de um inspector da PJ e o engoliu. O papel, não o inspector, que já recuperou do grave estado em que os espasmos de riso o deixaram. O papel, esse, já lá vai, provavelmente a caminho de embater numa rocha de Gibraltar depois de um longo trajecto pelos escorregas sanitários do Barlavento.

 

Não acho de bom tom gozar com o senhor. Acho até anti-democrático. Numa era em que os direitos políticos das mulheres são assegurados por quotas, parece-me discriminatória a detenção de políticos que comem papel. A pica, assim se chama em inglês à desordem de ingerir o que não é nutritivo, é uma doença grave com causas mentais e pode, como se viu, em casos extremos levar à intenção de lançar megaprojectos de cinema em Portimão que signifiquem o surgimento de sete estúdios de cinema na cidade. 

 

A julgar pelas acusações de que é alvo (corrupção, administração danosa, branqueamento e participação económica em negócio), a doença de Luís Carito, assim se chama o senhor doutor, que é assessorado por Pedro Poucochinho* - isto das doenças e dos nomes está tudo ligado -, a doença, dizia eu, deve já ter-se manifestado no passado. Não admira, portanto, que um recente episódio de pica de Luís Carito tenha sido um caso extraconjugal com a ex-mulher de Pedro Gato, um senhor que faz questão de vincar ser ex-marido da senhora, não vá a gente pensar que é gato manso.

 

Para perceberem a seriedade da pica, que não só não devia ter dado azo a detenção como deveria até estar a ser alvo de tratamento, financiado pelo Estado Social (para que serve, se não é para o tratamento de doenças raras como a criação de Hollywoods em Portimão?), notem que Carito não só come papel, como come papel de impressão, áspero, não papel higiénico, como seria mais, não tenho outro modo de o dizer, normal. Trata-se portanto de um caso extremo de pica. A pica, deixem-me instruir-vos, já que o Correio da Manhã mais uma vez optou pelo sensacionalismo, é prática comum em comunidades rurais africanas, e é em particular coisa de mulheres grávidas, o que parece não ser o caso de Carito. Outros indivíduos cheios de pica são os que sofrem de autismo ou de problemas cognitivos, como parece ser o caso de quem quer Hollywood numa cidade que pouco mais tem de atractivo do que uma Praia que me leva o apelido. 

 

Alguns sintomas típicos de pica são uma linguagem anormal, brincadeiras estranhas e relacionamentos anormais com amigos, sobretudo relacionamentos à porta fechada com assuntos como uma Hollywood em Portimão.  A pica pode, ao contrário do que a indústria pornográfica nos quer fazer pensar, ser um sintoma de depressão e, no caso de pessoas com problemas cognitivos, pode tornar-se incontrolável, fazendo-as por exemplo investir numa Hollywood em Portimão. A pica deve, portanto, ser tratada com lofepramina, aconselham os especialistas.  É esse o tratamento que deveríamos exigir para o caso de Luís Carito, um sujeito com óbvios problemas que deveria ser tudo menos motivo de chacota.

 

*É afinal assessor do presidente, não do número dois.

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publicado às 13:14


8 comentários

De Victor a 21.06.2013 às 19:53

Acho q só há aí um pequeno lapso: não se tratava de Hollywood, mas sim de Bollywood, mto mais interessante ainda

De Rui Passos Rocha a 21.06.2013 às 20:37

Não me tinha constado. Vê-se que sou um tipo rigoroso. Por outro lado assim parece mais parecido com o filme Quem Quer ser Bilionário.

De Miguel a 21.06.2013 às 20:19

Outro tipo cheio de pica: https://www.youtube.com/watch?v=VZOdM0fDi4s, a partir dos 5:05.

De Rui Passos Rocha a 21.06.2013 às 20:36

Obrigado, não me ocorreu :)

De Daniel Martins a 22.06.2013 às 00:14

Boas infelizmente, este pais está cheio de \"gente\" desta, isto nunca vai mudar se não tivermos uma coisa muito simples que se chama responsabilidade política, fez burrada paga pelo que fez!!!

De João Nunes a 25.06.2013 às 10:40

Artigo bastante bem escrito e mordaz.
Somente acho incorrecto comparar tal escumalha a quem realmente sofre de autismo e, eventualmente mas não obrigatoriamente, de alotriofagia (pica), não tendo os autistas nada a ver com a ganância e comportamento deste tipo de gente. Para mais que um autista funciona de tal modo lógico que não consegue conceber a mentira consciente (embora possa viver numa realidade distinta).

De Rui Passos Rocha a 25.06.2013 às 10:49

Caro João, tem toda a razão: é como chamar palhaço ao Presidente.
cumprimentos

De João Nunes a 25.06.2013 às 12:29

Ora, nem mais!
cumprimentos

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