Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Parecem bandos de pardais à solta, os putos

por Tiago Moreira Ramalho, em 20.06.13

A tenra idade, querido leitor, é-o transversalmente na gente. Tudo é tenro, especialmente o cérebro, órgão excepcional e de dupla face, por nos dar a garantia de superioridade intelectual face à besta, mas também por ser dele que provém a estupidez, propriedade que, atenção, não se deve confundir com ignorância, mas sim com o atrevimento associado a ela. Venho, pois, falar-vos de jovens. Jovens em quem a tenrura do cérebro se tem manifestado especialmente propiciadora do disparate (à juventude permite-se tudo, bastando para tanto a larga esponja do «disparate», coitadinhos). Há uns dias veio o Miguel Pires da Silva, o muito bem compostinho líder da excelsa JP, explicar-nos, com uma proverbial fealdade, que não, que não, que isso dos maricas, ou, nas suas palavras, isso dos «eles», era tudo muito pouco natural. Era por isso que era muito (muitíssimo) contra o casamento d’«eles» e contra a adopção d’«eles», que para ele (sem aspas, porque ele não é nada maricas) não traz saúde a ninguém. Além disso, preocupa-se o Pires da Silva (temos de começar a tratá-los como grandes, para se sentirem especiais) com a putativa vontade qu’«eles» têm de transformar Portugal «num imenso arco-íris de uma ponta à outra», fazendo aqui uso de uma bonita figura estilística que denota franco conhecimento da herança literária que os jovens deste tempo têm. Guardado o assunto do Pires da Silva, que me permitiu rir um pedacinho e gozar outro tanto, porque, enfim, a vida é curta e eu já vou entrado nos vintes, pensei para comigo que aquilo era excesso idiossincrático, uma excentricidade (mas não como as do Bentham, que possivelmente se referia a «eles»), e continuei a depositar fé nos jovens, os meus compagnons de route para o que resta. Tratou-se, como poderá o leitor um pouco mais envelhecido facilmente adivinhar, de uma precipitação (própria da idade, permita-se-me a auto-complacência). Outros jovens, agora da JSD (os jovens, em geral, gostam de agrupamentos), vieram perguntar ao Ministro da Educação quanto custam os sindicatos. Não sei se será um resquício da idade dos «porquês» ou tontice franca, por sabermos que não é movimento inocente e que em tempos de fraca carteira, falar de dinheiro dá sempre bom resultado. Em qualquer caso, os jovens da JSD, certamente porque a vida ainda foi curta e porque nem sempre as escolhas são as óptimas, deveriam, quando tiverem folga parlamentar agora nos próximos meses, pegar nuns livrinhos que expliquem bem o «custo» dos sindicatos. Senão, qualquer dia começamos a perguntar quanto é que a JSD custa ao Estado. Uma pergunta que talvez acabasse, dadas as recentes demonstrações de serviço, por fazer algum sentido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:25






Pesquisar

Pesquisar no Blog