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Do Patético «Acordo»

por Tiago Moreira Ramalho, em 08.06.13

Este que dedicadamente vos escreve, como poderão facilmente constatar, não é especialmente amigo do Acordo Ortográfico. Tirando algumas, mínimas, excepções, considero-o um delírio de intelectuais. Por isso agrada-me tudo o que por aí haja contra a brincadeira: as bonitas notas de rodapé dizendo que os autores que vou lendo não adoptam a nova ortografia; as entrevistas de gente que ilustremente se insurge contra a coisa; e os livros. Um destes dias, a Guerra e Paz publicou um do Pedro Correia, meu antigo colega de blogues, com o título «Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico». Lido o texto, há que dizer que o Pedro fez um notável trabalho no âmbito da investigação. Escapou-lhe o pé para o jornalismo e trouxe um conjunto vastíssimo de argumentos das mais diversas proveniências. A meu ver, pecou por certo exagero: há muito pouco do livro que seja de facto escrito pelo Pedro. E os breves comentários e opiniões que nos oferece, quando não são sobre as citações, derrapam mais do que o expectável para alguma piada fácil e pouco feliz («Adoção, despida do p, ganha um insólito parentesco com adoçante. Mesmo que seja amarga...», p. 95), ou para um conjunto de neologismos sloganísticos como «acordês», «acordortografiquês», «desacordo ortográfico», ou «(des)acordo ortográfico». Faltou-lhe especialmente dar conta mais extensiva dos argumentos a favor do Acordo, até para que os pudesse rebater.

De qualquer maneira, o livro cumpre a obrigação. É um livro de divulgação e não se pretende (espero eu) uma tese académica ou coisa semelhante. Quem o lê, e lê-se muito bem, ganha uma visão ampla sobre o que tem sido a grande aventura de um processo político tonto, que pelo meio já fez estragos e que, mais cedo ou mais tarde, mais não seja por generalizada recusa, cairá. 

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publicado às 13:56






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