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K kidduxah

por Rui Passos Rocha, em 21.05.13

Uma parte de mim ficou perturbada com os resultados do inquérito a adolescentes sobre violência nos namoros. A outra parte de mim viu a Raquel Varela ontem no Prós e Contras e acaba de reparar que ela decidiu espumar-se de novo, mas no blog. Ambas as partes vão beber para tentar esquecer.

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publicado às 15:45


1 comentário

De blackened a 21.05.2013 às 22:31

O artigo do DN deixa muito a desejar, ou então, o próprio estudo... Para já, a "maioria dos jovens" não se ilustra com uma amostra de 885 jovens provenientes do Porto e de Braga, com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos. Não tenho acesso ao artigo completo do DN, mas a amostra de 885 jovens, muito evidenciada no leviano artigo, pode não reflectir a realidade da população inquirida, que nesse mesmo artigo nem sequer é mencionada. No entanto, no facebook da UMAR diz o seguinte: «Inquérito realizado no âmbito do projecto da UMAR, Mudanças com Arte, que inquiriu 885 rapazes e raparigas, entre os 11 e os 18 anos, em escolas do Porto e de Braga». Portanto, concluo que a amostra é afinal a população do estudo e que esta é bastante limitada, quer em número quer em abrangência territorial.
O típico português não tem o hábito de atender a estes pormenores quando lê um artigo acerca de um estudo qualquer, caindo directamente na ratoeira deste jornalismo enganoso, cujo objectivo deixou de ser há muito informar.
Embora mantenha uma posição céptica em relação à informação disponível que tenho deste estudo, concordo que a conclusão do mesmo acerca das mentalidades jovens portuguesas não esteja muito longe daquilo que realmente são. Eu própria sou jovem e noto nos meus colegas muita confusão, quando confrontados em conversa com temas deste tipo. Segundo a minha percepção, os jovens não têm uma posição sólida acerca dos problemas sociais, porque não perdem muito tempo a reflectir sobre eles. Associações como a APAV têm vindo a criar campanhas e programas que permitam exactamente isso, uma reflexão e uma sensibilização junto dos mais jovens.
Há relativamente pouco tempo tive uma discussão, na qual me senti bastante ofendida e chocada, admito, com colegas meus do sexo masculino que, por um lado, abominavam a ideia de violar uma rapariga ou mulher, por outro, defendiam-se com o típico "um homem tem necessidades". Contradiziam-se constantemente, carecendo de argumentos sólidos, mas pude retirar das palavras deles essencialmente a ideia de que se uma mulher ou rapariga lhes desperta prazer sexual, eles têm o direito de satisfazê-lo. E essas mulheres e raparigas eram mencionadas com um certo desprezo; não diferenciavam uma "galdéria", uma rapariga sem respeito por ela mesma, de uma rapariga que simplesmente se sentisse no direito de demonstrar vontade de ser sexualmente realizada, como os rapazes ou homens se sentem tantas vezes. Socialmente, ainda não nos é admitida essa liberdade, parece que a nossa sexualidade está resguardada apenas para a afectividade. Ao sair à noite com intenções provocativas, mesmo que mantenhamos dignidade e respeito pela nossa pessoa, estamos sujeitas a comentários ou julgamentos do género "Estás mesmo a pedi-las!" ou "Habilitaste-te, depois não te queixes". Acho que esta mentalidade machista está entranhada mesmo em nós, raparigas, que reprimimos os nossos desejos para não sermos criticadas e julgamos quem consegue ultrapassar esses complexos. Ideia geral, a culpa das violações é das vítimas, porque se admite que todos os homens são uns "selvagens" e que se podem descontrolar, caso elas os provoquem, como se eles deixassem de ser animais dotados de capacidade de raciocínio.
Isto só para lhe dar um exemplo, não somente para criticar as gentes masculinas, mas para reforçar a ideia de que a juventude está realmente rendida a ideais violentos e sexistas - e o sexismo aplica-se também a nós, raparigas. Tenho notado na internet ideias bastante extremistas em blogs e redes sociais pertencentes a jovens mulheres. Considero-me uma femininista, mas tenho-me chocado com o ódio crescente de muitas outras raparigas em relação aos homens; parece que se tornaram naquilo que tanto odeiam. Vão aos pormenores das coisas e distorcem-nos de forma a reforçar pontos de vista que incentivam o ódio e a violência.

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