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Revoluções à hora do telejornal

por Bruno Vieira Amaral, em 21.05.13

Ontem, uma jornalista da RTP entrevistou um dos seres humanos de nacionalidade portuguesa que se reuniram ao fim da tarde em Belém. Não me refiro aos que estavam dentro do Palácio, mas aos que batiam desconsolados tachos contra a Troika, o Coelho e o Gaspar, e que se encontravam sanitariamente impedidos de atravessar a rua para protestar, barreira que respeitaram com escrúpulo democrático e, quase diria, bovino. O "aparato" policial resumia-se à presença de alguns agentes da autoridade francamente desiludidos por não poderem "dispersar" os manifestantes à bastonada. Dizia eu que a jornalista da RTP entrevistou uma das pessoas que por ali andava. Não me recordo da pergunta - interessa pouco - mas a resposta foi inquietante. O senhor, munido de um potente bigode e de um cartaz, afirmou que investigara a vida do Gaspar até aos anos 60 e que estava em condições de garantir aos portugueses que o Gaspar era primo do Louçã. Posteriormente, enveredou por uma complicada explanação de cariz genealógico em que acabou por dizer - creio que foi isto - que aquela relação de parentesco tinha a ver com o facto de o pai de um ser irmão da mãe do outro, o que como tem sido observado por vários antropóogos faz com que os filhos dessas pessoas sejam primos. Ou talvez o senhor tenha dito que as mulheres de Gaspar e de Louçã é que eram primas. Infelizmente, a jornalista da RTP, ao serviço de forças obscuras, interrompeu este relevante testemunho e deixou o senhor a brandir quixotescamente o seu cartaz enquanto ruminava a ligação familiar entre personagens tão distintas. Minutos antes, uma outra manifestante, esta mais exaltada, asseverava que o povo ia pegar em armas porque não há outra solução. Quero aqui recordar que o povo português não pega em armas para aí há duzentos anos e que desde essa época a tecnologia militar registou algumas evoluções. Peguem em armas, claro, mas vejam lá se não se aleijam. Considerem a possibilidade de investigar as relações familiares entre os políticos, uma actividade lúdica de baixo risco físico.

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publicado às 10:23


1 comentário

De Blondewithaphd a 22.05.2013 às 17:15

E mesmo há duzentos anos se não têm sido os ingleses não sei o que teria sido...

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