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Ai, o frio

por Frederico V Gama, em 21.05.13

Ontem foi dia de Conselho de Estado. À excepção do Dr. Soares que, por motivos de saúde, e outros que derivam da sua educação, tem abandonado todas as reuniões antes do seu termo, os senhores conselheiros permaneceram "lá dentro" durante as várias horas do conciliábulo. O resultado da magna assembleia pode ser convenientemente apreciado na imprensa de hoje e é tão irrelevante e inútil como a generalidade dos anteriores, o que deveria ser motivo suficiente para não tomarmos conhecimento da coisa.

Tudo bem. Uma paz celestial e institucional desceu sobre o país, comovido.

Agora, o que é fodido é o frio. E o Expresso, esse luminoso farol do jornalismo contemporâneo, porta-voz das revoluções, sejam elas de esquerda ou de direita, deu o tom: o frio é que tramou, tramou mesmo, a manifestação do pessoal do Que se Lixe a Troika. Estas cerca de sessenta pessoas que as meninas das televisões anunciaram, antes, como sendo centenas, talvez um milhar, de certeza dois, enfim, pouco faltou para serem milhares – estas cerca de sessenta pessoas, pois, empunharam cartazes em que se pedia o fuzilamento do governo (vejam os cartazes) e o regresso do escudo (idem), mas cedo foram desmobilizadas por causa do frio. Onde é que já se viu um punhado de revolucionários serem desmantelados, um a um, desmembrados, esquartejados, por causa de uma brisa reaccionária que vinha do Tejo? Eu digo: em Lisboa, onde os revolucionários são uma merda e a imprensa regista cada ajuntamento como se fosse a tomada do Palácio de Inverno (vão estudar), com o Expresso, esse farol, à frente de todos. O frio? O frio desmobilizou vinte bolcheviques decididos a fuzilar o governo? Fumassem um charro.

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publicado às 09:55






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