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Um homem invulgar

por Tiago Moreira Ramalho, em 07.05.13

 

Psy muito admirado

O senhor da fotografia tornou-se um fenómeno por ter criado uma canção numa língua que apenas 70 milhões de pessoas falam em todo o mundo. Eu, que tenho uma calculadora aqui ao lado, ajudo o leitor: isto é mais ou menos 1% da população mundial. A música, «Gangnam Style», é segundo os jornais uma sátira a um bairro qualquer; o videoclipe, mostra-nos o Youtube, é um pagode de danças macabras, homoerotismo e geral ramboia. Uma delícia que valeu ao pequeno coreano o ouro mais importante do nosso tempo: ultrapassou Justin Bieber no número de visualizações do Youtube. Chapeau!


Justin Bieber com um casaco azul, antes de ser atingido com uma garrafa de água no rosto

Não nos enganemos, contudo, na facilidade de julgar que Park Jae-sang (é este o nome a sério) é apenas isto (que, atenção, já é imenso). A música de Jae-sang elevou-o a um estatuto de arquétipo de humanismo reconhecido, inclusivamente, pela ONU. Ban Ki-Moon, aliás, recebeu o conterrâneo por considerar que através dele se poderia propagar uma mensagem de tolerância. Deverá saber do que fala, Ban Ki-Moon, dado ser dos poucos de entre nós que consegue, de facto, entender o que diz a música. Também a UNICEF compreendeu o valor de tudo isto, ao colocar Park (vou alternando) ao lado de Bárbara Guimarães no corredor dos Embaixadores da Boa Vontade.

 

Um casamento coreano

Tudo isto parecerá ao consumidor exigente um pouco folclórico. Sim, o coreano fez uma cantiga que agrada muita gente. Sim, as principais instituições políticas do planeta recebem-no como um messias. Mas afinal, a doxa é pouco relevante e os políticos vendem-se por pouco. De novo, as evidências obrigam-nos a recuar. Não é só o folclore dos dias que se alimenta do gorducho. A autoridade académica verga-se, também, perante o brilhantismo do homem. Oxford convidou-o para a Oxford Union Society, por onde, aliás, passaram também figuras como Sapo Cocas, Shakira e Thatcher. E agora, já no próximo dia 9 deste mês, Psy dará uma aula em Harvard (aconselho a leitura de alguns comentários). A temática é dúbia, mas isso interessa pouco. Interessa, sim, que Massachusetts é longe de mais e que o live streaming, mesmo que bem-intencionado, sabe a pouco. Esperemos pelo Doutoramento Honoris Causa que a Universidade de Lisboa acabará por lhe atribuir e aí, com algum engenho e mais audácia, talvez possamos dar um pezinho de dança juntos.

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publicado às 15:18






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