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O Dia da Mãe no jornal das fracturas

por Frederico V Gama, em 05.05.13

Mãe e filha visitam a redacção do Público


Leio, com muita comiseração, esta peça do Público sobre o Dia da Mãe e sobre como as mães de raparigas e rapazes que emigraram estão, deixa cá ver, cheias de "orgulho, tristeza e preocupação". O assunto toca-me profundamente porque é bom ver que o jornal das causas fracturantes se preocupa com o Dia da Mãe, lá está, e especialmente, ou exclusivamente, com o dia das mães de raparigas e rapazes que emigraram e que estão cheias de "orgulho, tristeza e preocupação". Uma pessoa lê o artigo e a tristeza e preocupação não são coisas assim tão negativas, mas o Público, alimentado pelos tickets de caixa do Continente, tem sempre essa tentação de ver quão estamos tristes e preocupados, pelo menos tão tristes e preocupados quanto as fotos dos colunistas do jornal. Como é sempre uma injustiça emigrar, há mesmo o caso de uma jovem que está na Holanda, na Fontys Hogeschool voor de Kunsten, a estudar dança, e teve de suportar um intercâmbio com a Universidade de São Paulo, e a mãe fica muito triste porque a filha tem de sair de Portugal. Há também o caso da mãe de uma engenheira civil de 27 anos que está em Londres a trabalhar (emprego "que diz adorar", acrescenta o jornal), e o de uma outra mãe que assinala que "o país está a negar o futuro aos jovens portugueses"; ela é mãe de uma hospedeira da Qatar Airlines, considera que a experiência da filha é "enriquecedora" mas preferia que a Qatar Airlines tivesse contratado a filha com o salário por inteiro para não sair do bairro onde vive a família, porque trabalhar para muçulmanos é chato, o problema é que os aviões voam de um lado para o outro ("É bem paga", diz esta mãe), o que nega o futuro aos jovens portugueses, e o Público está atento ao problema, solidário como é. O mundo não está bem feito, as mães portuguesas sentem que é injusto quando os seus filhos estão a ter sucesso lá fora e são bem pagos, porque estão longe (os filhos não são propriamente adolescentes de 17 ou 18 anos, mas raparigas maduras de 27 ou 29, e os rapazes já não mudam as fraldas porque têm quase 30 anos, mas o Público sabe que uma mãe é sempre uma mãe e que o lugar dos filhos, pelo menos até à véspera de contrairem matrimónio, porque o Público defende o casamento de toda a gente, é ao lado da mãe). 

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publicado às 17:31






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